Pecuária mantém resiliência e projeta crescimento, atesta relatório do setor

A edição 2026 do Beef Report traçou panorama abrangente e minucioso da pecuária nacional, esmiuçando os recordes recentes de exportação, projetando crescimento e adequação ainda maior às práticas sustentáveis. Crédito: Divulgação ABIEC

Relatório do setor atesta pujança e traça metas ambiciosas

Um dos principais documentos reunindo indicadores da pecuária de corte brasileira teve nova edição divulgada na semana passada. Trata-se do Beef Report, elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, em parceria com a Athenagro Consultoria. O lançamento foi conduzido pelo presidente da entidade, Roberto Perosa, acompanhado pelos diretores da ABIEC, durante coletiva de imprensa com jornalistas.

O relatório traça um panorama abrangente e minucioso do segmento, que obteve crescimento expressivo em décadas recentes, tanto no rebanho quanto nas exportações, mesmo durante épocas delicadas de mais protecionismo. Também há um inventário detalhado que evidencia os esforços em atender à demanda crescente sem perder de vista o compromisso com a sustentabilidade e protocolos sanitários. Isso levará, de acordo com as projeções, a uma maior produtividade.

O conteúdo mostra que 2025 foi um ano histórico para a pecuária brasileira. O país produziu 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), abateu 47,79 milhões de bovinos, movimentou R$ 1,159 trilhão e exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, com faturamento recorde de US$ 18 bilhões. O desempenho consolidou o Brasil, pela primeira vez, como o maior produtor mundial de carne bovina e manteve o país na liderança das exportações globais.

Avanços na produtividade e consolidação de práticas sustentáveis

O relatório repercutiu as ambiciosas metas de redução nas emissões até 2050, o que coloca a pecuária brasileira na vanguarda dessa demanda global. Crédito: Arquivo SNA

Beef Report também evidencia os avanços da produtividade brasileira. Entre 1990 e 2025, a produção nacional de carne bovina cresceu 146,6%, ritmo 3,6 vezes superior ao crescimento do rebanho, que avançou 40% no mesmo período. O rebanho foi estimado em 195,5 milhões de cabeças, o maior comercial do mundo, enquanto o Brasil passou a responder por 16,1% de toda a produção global de carne bovina.

As exportações alcançaram um novo recorde, com crescimento de 20,6% em volume e de 40% em receita em relação a 2024. A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, seguida por Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia. A participação das exportações na produção nacional atingiu 36,7%, o maior patamar da série histórica.

O estudo de descarbonização incorporado ao relatório estima que a modernização da pecuária possa reduzir em pelo menos 79,9% a intensidade das emissões por quilo de carne até 2050. Com desmatamento zero, adoção das tecnologias do Plano ABC+, redução da idade de abate e uso de aditivos para mitigação de metano, essa redução poderá alcançar 92,6%.

Projeções e desafios em meios às novas exigências dos compradores

Roberto Perosa, presidente da ABIEC, conversou com a imprensa no lançamento do relatório. Segundo ele, o documento atesta a força do setor e o excelente momento da carne bovina, mesmo diante de barreiras comerciais. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Os dados do Beef Report chegam num momento estratégico para o setor: apesar dos números expressivos, os principais compradores indicam resistência à carne bovina brasileira nos próximos meses. Como o Portal SNA vem mostrando, os embarques estão perto de esgotar a cota de exportação para a China, fixada pelo governo de Pequim em 1,1 milhão de toneladas ao ano. A partir desse patamar, novos volumes pagariam sobretaxa de 55%, inviabilizando na prática as transações. Muitos frigoríficos já deram férias coletivas aos funcionários ou realocam sua produção.

Em outra frente de resistência, a União Europeia não aceitará mais a carne bovina nacional a partir de setembro, alegando que a cadeia produtiva daqui não atesta que o gado esteja livre do uso de antimicrobianos. Essa adaptação pode levar até dois anos e atinge em cheio o faturamento do setor. Os Estados Unidos, em nova sanção comercial ao Brasil anunciada na semana passada, acabaram isentando a carne bovina de alíquotas adicionais às já existentes, mas a tensão permanente entre os dois países acaba prejudicando tratativas para ampliar embarques.

Mesmo com esses desafios, o setor se mostra confiante para os próximos anos. As projeções do Beef Report indicam que a produção poderá atingir 15,18 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) até 2035, crescimento de cerca de 23% em relação a 2025. As exportações deverão avançar de 4,53 milhões para 7,09 milhões de TEC, alta de 56,5%. Apesar da expectativa de acomodação da produção em 2026, o relatório destaca que o Brasil reúne as melhores condições para responder ao crescimento da demanda mundial por carne bovina, sustentado pelos ganhos de produtividade, competitividade e abertura de mercados.

O Beef Report mostra que a pecuária brasileira vive um dos momentos mais importantes da sua história. Os números comprovam que é possível produzir mais, com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade. Essa evolução consolidou o Brasil como maior produtor e exportador mundial de carne bovina e nos coloca em uma posição privilegiada para atender à crescente demanda global por proteína de qualidade”, destacou Roberto Perosa, presidente da ABIEC.

Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb 13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Com informações da Assessoria ABIEC (Agradecimento – Bruno Guzzo)
Dados complementares: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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