Pecuária mantém otimismo para exportações em 2026, mesmo com cotas chinesas

Exportações devem seguir no mesmo patamar de 2025, que já foi um ano de recordes. Novos mercados e outros fatores contribuem para continuidade dos embarques. Foto: Divulgação Abiec

Setor projeta volumes parecidos com os de 2025

Após o anúncio das cotas chinesas para o embarque de carne bovina brasileira ao país asiático, a pecuária nacional parece ter assimilado a repercussão com rapidez e tranquilidade, ao mesmo tempo em que os números divulgados atestaram o recorde de exportações do setor em 2025. Conforme o Portal SNA mostrou, a possibilidade de uma sobretaxa de 55% a ser aplicada pelos chineses caso o volume anual de 1,1 milhão de toneladas seja ultrapassado não impactou as projeções do segmento, que se mantém otimista e pretende igualar ou até mesmo ampliar a tonelagem vendida ao exterior no ano passado.

Para 2026, a estimativa é de que sejam exportadas entre 3,3 e 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, nas diversas modalidades e cortes do produto. Os números são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). “Essa estimativa se dá em face de novos mercados abertos, novas possibilidades. Estamos falando da abertura do mercado japonês, intensificação do vietnamita, da viagem do governo brasileiro que pode acelerar a abertura da Coreia do Sul, conversas para abrir o mercado da Turquia”, disse Roberto Perosa, presidente da Abiec, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Ele não descarta a possibilidade de importadores chineses comprarem volumes acima da cota estabelecida pelo governo local, mesmo com acréscimo de tarifa, tendo em vista a forte demanda chinesa por carne bovina, mas disse não acreditar em grande excedente. “É difícil substituir o mercado chinês porque o volume é grande, mas o Brasil exportou para 177 países no ano passado e ainda temos o crescimento econômico da Ásia”, acrescentou.

Neste sentido, o escoamento para outros compradores é uma opção. Mas mesmo que novas aberturas de mercado se confirmem ao longo do ano, ainda há um gradual amadurecimento das negociações com os brasileiros, o que demanda tempo. Perosa se reuniu na última terça-feira, 20 de janeiro, com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), para tratar as formas de mitigar os impactos da decisão chinesa para frigoríficos brasileiros.

Em reunião com o Vice-Presidente Geraldo Alckmin, que também é Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Abiec tratou das salvaguardas chinesas e novas habilitações a frigoríficos brasileiros, concedidas pelo Vietnã. Foto: Rede social Roberto Perosa

Preços internos estáveis e novos mercados ampliando consumo

Além de discutir possibilidades de linhas de crédito para pecuaristas e frigoríficos, abertura de novos mercados e reconhecimento de acordos sanitários, a Abiec também vem buscando mais informações sobre como a China vai implementar as salvaguardas. Por exemplo, se a cota anual será distribuída em cotas periódicas ao longo do ano, o que contribuiria para evitar picos de exportação.

Enquanto isso, mercados abertos nos últimos anos vem completando os trâmites de praxe para iniciar as compras. As autoridades sanitárias do Vietnã concluíram o processo de avaliação técnica e habilitaram mais quatro frigoríficos brasileiros para a exportação de carne bovina com osso e desossada. Os novos estabelecimentos habilitados estão localizados em Rondônia (2), Mato Grosso do Sul (1) e Tocantins (1), somando-se a outros quatro já autorizados, situados em Goiás (3) e Mato Grosso (1).

O mercado vietnamita de carne bovina foi aberto em 2025, após décadas de negociação, o que fortaleceu o diálogo bilateral e ampliou as oportunidades de inserção de novos produtos brasileiros. Com as novas autorizações, o Brasil passa a contar com oito plantas habilitadas, dobrando a capacidade atual de oferta e fortalecendo a presença da carne bovina nacional em um dos países que mais têm expandido o consumo de proteína animal nos últimos anos.

Há expectativa de que a Indonésia também anuncie em breve novas habilitações para plantas frigoríficas brasileiras. Desse modo, com a continuidade de grandes volumes embarcados ao exterior e a demanda interna aquecida, num ano de eleições e estímulo ao consumo, o setor segue otimista. Isso significa que o preço da carne bovina não deve sofrer oscilações significativas, numa estabilidade que favorece tanto o mercado nacional quanto novos esforços de expansão, seja nos principais eventos internacionais ou nas comitivas que compõem as delegações em visitas de Estado.

Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Com informações complementares dos Ministérios de Agricultura e de Relações Exteriores
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