
A pecuária brasileira manteve em 2025 um papel central na economia e no sistema alimentar do país, conectando cadeias produtivas que vão da produção de grãos à indústria de processamento, logística e varejo. O desempenho conjunto dessas cadeias seguiu impactando emprego, renda regional, inflação de alimentos, segurança alimentar e geração de divisas.
Últimas três décadas#
Nas últimas três décadas, enquanto a economia brasileira cresceu, em média, 2,2% ao ano, a agropecuária avançou cerca de 4,6% ao ano, com a pecuária apresentando crescimento de 4,7%, impulsionada, principalmente, por ganhos expressivos de produtividade.
Esse avanço permitiu uma expansão da produção mesmo em um cenário de queda dos preços reais, com a exportação absorvendo cerca de 30% da produção agropecuária e sustentando margens em um setor cada vez mais tecnificado, segundo relatório divulgado, nesta quinta-feira (18), pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA Esalq/USP.
PIB#
Ainda de acordo com a publicação do CEPEA Esalq/USP, em 2025, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,13 trilhões, representando 24,4% do PIB nacional, com a pecuária respondendo por 8,6% desse total. O setor empregou aproximadamente 28 milhões de pessoas, considerando toda a cadeia, da produção primária aos agrosserviços. No campo macroeconômico, o ano foi marcado por inflação de 4,43%, crescimento do PIB de 2,16%, câmbio médio de R$ 5,40 por dólar e taxa Selic de 15% ao ano.
Para os próximos anos, as projeções do indicam desaceleração moderada do crescimento econômico, com redução gradual dos juros, manutenção de câmbio desvalorizado e aumento da dívida pública como proporção do PIB, fatores que seguem influenciando custos, investimentos e decisões produtivas no setor pecuário.
Mercado de custos e insumos#
No mercado de custos e insumos, a queda nos preços de milho e farelo de soja em 2025 reduziu os custos de rações e dietas concentradas, favorecendo principalmente os sistemas de não ruminantes, como frango de corte e suínos. Em contrapartida, a elevação nos preços de fertilizantes e de moléculas importadas, como o glifosato, pressionou os custos dos sistemas de forragem. Para 2026, a expectativa é de maior cautela, diante de incertezas relacionadas à oferta global de insumos, à demanda externa por farelo de soja, à volatilidade cambial associada ao ano eleitoral e a possíveis restrições de oferta no mercado internacional de fertilizantes.
Bovinocultura de corte#
Na bovinocultura de corte, os preços se mantiveram relativamente estáveis ao longo de 2025, sustentados pelo aumento do confinamento, pela maior utilização de contratos e por exportações recordes, pouco afetadas por tarifas internacionais.
O abate elevado de fêmeas no primeiro semestre deu lugar à retenção no segundo, diante da valorização do bezerro e do boi magro. Para 2026, a expectativa é de crescimento das exportações, maior consumo doméstico e possível ampliação da oferta de bezerros, com variações de preços influenciadas por custos de grãos, clima e negociações antecipadas.
Mercado de leite#
Já no mercado de leite, 2025 foi marcado por excesso de oferta e aumento das importações, o que derrubou os preços ao produtor e pressionou margens. Para 2026, projeta-se menor volatilidade, com crescimento mais moderado da produção e recuperação sazonal dos preços ao longo do ano.
Suinocultura#
A suinocultura apresentou em 2025 um dos melhores desempenhos recentes, com preços firmes, baixa volatilidade e rentabilidade elevada, apoiada na expansão controlada da produção e no aumento das exportações para mercados asiáticos e das Américas, apesar da forte redução das compras chinesas. As perspectivas para 2026 indicam manutenção desse cenário favorável.
Avicultura de corte#
Na avicultura de corte, mesmo com a confirmação de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em granja comercial, o setor encerrou 2025 com crescimento das exportações, oferta controlada e preços sustentados, embora tenha enfrentado quedas pontuais durante o período de restrições sanitárias. Para 2026, a projeção é de novo crescimento, condicionado à ausência de novos focos da doença.
Mercado de ovos#
O mercado de ovos alcançou recordes de produção e exportação em 2025, impulsionado principalmente pela forte demanda externa, com destaque para os Estados Unidos. No mercado interno, o aumento da oferta pressionou os preços ao longo do ano. Para 2026, a expectativa é de expansão da produção e do consumo, com a gripe aviária permanecendo como ponto de atenção e, ao mesmo tempo, como possível vetor de oportunidades no mercado externo.
Tilápia#
Já a cadeia da tilápia enfrentou em 2025 desafios relacionados à elevada oferta, à queda dos preços reais, às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e à maior concorrência externa.
Espera-se que em 2026 o setor deva ser fortemente influenciado por fatores internacionais, com atenção especial às importações e à dinâmica do consumo interno, especialmente no primeiro semestre.






