Mercado de proteínas: Boi e frango ganham fôlego, enquanto suínos registram queda histórica

Suinocultura enfrenta desvalorização recorde de 30% no acumulado de 2026 – Foto: Canva

Boi

A diferença entre os preços pagos pelo boi e pela vaca está se ampliando em abril. Historicamente, os preços do boi gordo operam acima dos da vaca gorda, refletindo diferenças de rendimento de carcaça, qualidade da carne e perfil de demanda. Segundo pesquisadores do CEPEA, o boi, em geral, apresenta maiores acabamento e aproveitamento, o que justifica um prêmio em relação à fêmea. Já a vaca tem maior participação no mercado em momentos de descarte de matrizes, quando a oferta se amplia e as cotações caem.

Em abril (parcial até o dia 28), a diferença entre os preços médios de machos e vacas negociados no estado de São Paulo é de R$ 33,69 por arroba, com vantagem para o macho, indicam dados do CEPEA. Em abril de 2024 e 2025, as diferenças eram bem menores, de R$ 17,70 e de R$ 26,30 por arroba, respectivamente. Segundo o CEPEA, esse resultado se deve à valorização dos machos acima da registrada para as vacas, devido à oferta reduzida desses animais desde o início de 2026 e à aquecida demanda internacional pela carne de boi.

Por outro lado, as fêmeas, que são destinadas principalmente ao mercado interno, registram uma maior oferta em relação aos machos, o que tem levado frigoríficos a ajustarem os preços pagos para completar as escalas de abate. De dezembro/25 para a parcial deste mês, enquanto a arroba do boi gordo no mercado paulista registra uma valorização nominal de 12,65%, o preço da vaca registra uma alta menos intensa, de 7,50%.

Suínos

As médias de negociação do suíno vivo de abril fecharam em baixa em todas as praças acompanhadas pelo CEPEA, após fortes movimentos de queda nestas últimas semanas. Em SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal acumula expressiva desvalorização real (deflacionamento pelo IGP-DI de março/26) de 32,80% em 2026 (a média deste mês foi comparada com a de dezembro/25).

Trata-se da queda mais intensa para este período, considerando toda a série do CEPEA, iniciada em 2002. Segundo pesquisadores do CEPEA, a forte demanda externa pela carne brasileira até vem limitando a disponibilidade interna, mas o consumo doméstico ainda enfraquecido vem resultando em consecutivas desvalorizações do animal vivo. Em relação ao mercado atacadista da carne, segundo o CEPEA, a tendência também foi de queda, mas de forma menos acentuada.

Em termos reais (neste caso, as médias foram deflacionadas pelo IPCA), a queda acumulada no ano é de 30,10%, com a média da carcaça especial sendo a menor desde fevereiro de 2019. Para maio, alguns agentes de mercado consultados pelo CEPEA estima uma estabilização dos preços do animal e dos cortes. Essa expectativa está fundamentada no período de recebimento de salários após a virada do mês, na comemoração do Dia das Mães (que ocorrerá no próximo dia 10) e no fim do período de feriados.

Frango

Após uma sequência de quatro meses de queda, o poder de compra do avicultor paulista em relação aos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, reagiu em abril. Segundo pesquisadores do CEPEA, esse movimento foi impulsionado pela interrupção das quedas do frango vivo e pela retração nas cotações desses insumos.

Na média da parcial de abril (até o dia 28), o quilo do frango vivo foi negociado no estado de São Paulo à uma média de R$ 4,44, ligeira queda de 0,60% em relação à de março. Apesar da leve baixa, a sequência de fortes retrações registradas nos meses anteriores perdeu a força em abril. Segundo agentes consultados pelo CEPEA, houve margem para ajustes positivos apenas na primeira metade de abril, mas o movimento apresentou arrefecimento, na medida em que o final do mês se aproximava.

Por outro lado, agentes demonstram um alívio diante da queda mais intensa nos preços dos insumos. Desta forma, considerando os preços médios do animal no estado de São Paulo e os do milho na região de Campinas (SP), em abril, o avicultor consegue comprar 3,91 quilos de milho com a venda de um quilo de frango vivo, 3,50% a mais que em março, segundo indicam cálculos do CEPEA. De farelo de soja, é possível ao avicultor paulista a compra de 2,54 quilos com a venda de um quilo de frango, aumento de 2,70% em relação ao volume do mês passado.

Fonte: CEPEA
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