Com a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo Conselho da União Europeia, neste mês, o mercado brasileiro começa a desenhar expectativas específicas para o setor de máquinas agrícolas, tanto no sentido de importações quanto de exportações. O acordo ainda depende de ratificação formal pelos parlamentos dos países envolvidos, inclusive pelo Congresso brasileiro, mas já gerou análises e projeções oficiais fundamentadas em dados recentes.
Para Pedro Estêvão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o acordo Mercosul-UE, embora seja um processo bastante complexo, trata-se de algo positivo devido a abertura de mercados, tanto do mercado agrícola brasileiro para produtos agrícolas que saem do Brasil para outras nações, como bens industriais que podem ser importadas.
“Lembrando que a retirada dos impostos de importação, tanto para o Brasil, como para os demais países envolvidos, é pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ou seja, varia conforme a mercadoria. Os setores mais sensíveis vão demorar mais para baixar suas alíquotas. Então é um processo longo; talvez falemos de 0 a 15 anos”.
Exportações
No campo das exportações, a ApexBrasil divulgou estimativas de que a implementação do acordo pode elevar o volume de vendas brasileiras ao exterior em cerca de US$ 7 bilhões em curto prazo, abrindo espaço para produtos com maior valor agregado e maior penetração em mercados europeus. Embora esse valor agregue diferentes setores, o setor de máquinas agrícolas é citado como parte de uma pauta exportadora que pode se beneficiar da eliminação gradual de tarifas para produtos industriais e agroindustriais entre Mercosul e UE.
Indústria de máquinas agrícolas
Na visão de Pedro Estêvão, para a indústria de máquinas agrícolas a concorrência deve aumentar, principalmente dos alemães e italianos, que têm uma indústria de máquinas agrícolas mais pujante.
“Provavelmente eles vão querer trazer máquinas para o Brasil. Vale ressaltar que nós também temos aqui a reforma tributária que deve ajudar muito a indústria brasileira a ser mais competitiva, um processo não tão longo quanto o acordo, mas que ajuda bastante a indústria nacional a elevar sua competitividade. Vai demorar para os efeitos serem sentidos, mas se a primeira tranche der certo, acho que ao longo do tempo nós temos oportunidades de melhorar o processo e trazer uma flexibilização maior no comércio entre os dois blocos”, enfatizou o presidente da CSMIA.
Segundo avaliação da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a indústria de máquinas agrícolas, que produz tratores, colheitadeiras e equipamentos correlatos, observa que a redução de tarifas pode facilitar o acesso a mercados europeus exigentes, especialmente em segmentos em que a produção nacional já atende a padrões internacionais. A perspectiva para exportação, contudo, é de crescimento gradual e dependente da consolidação de cadeias de valor no exterior, não de expansão imediata de volume no curto prazo. Esse movimento, segundo especialistas, pode dinamizar a competitividade da agricultura brasileira ao reduzir barreiras para importação de tecnologia avançada como sistemas de agricultura de precisão, automação e componentes especializados.
Desafios de curto prazo
Analistas oficiais também ressaltam desafios de curto prazo. Embora a liberalização comercial abra oportunidades, a volatilidade dos mercados globais, custos de financiamento e exigências regulatórias europeias de sustentabilidade e padrões técnicos podem limitar ganhos imediatos para produtores e fabricantes brasileiros de máquinas agrícolas. Essa cautela se reflete em projeções oficiais e nas projeções de vendas do setor, que indicam um mercado doméstico ainda modesto e impactos graduais no comércio exterior.
Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações da ApexBrasil e Anfavea
Agradecimento especial à Assessoria de Comunicação da ABIMAQ






