Mapeamento aponta expansão do cacau na Amazônia

O levantamento apontou que 96% das áreas de cacau no Pará e 98% em Rondônia estavam desflorestadas antes de 2020 – Foto: Canva

Um levantamento da Embrapa identificou 121 mil hectares destinados ao cultivo de cacau nos estados do Pará e de Rondônia. Os dados mostram que a expansão da cultura ocorre predominantemente em áreas que já haviam sido modificadas pela ação humana, como pastagens e locais com vegetação secundária, sem avanço significativo sobre a floresta nativa.

Intitulado Mapeamento das áreas da cacauicultura nos estados do Pará e Rondônia: implicações para o desenvolvimento territorial, o estudo foi realizado por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, em parceria com profissionais da Universidade Estadual do Pará (Uepa) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Os resultados foram apresentados durante a ExpoCacau 2026, em Ilhéus (BA). Para identificar as áreas cultivadas, foram utilizadas técnicas de sensoriamento remoto, imagens de radar, inteligência computacional e verificações de campo.

O levantamento apontou que 96% das áreas de cacau no Pará e 98% em Rondônia estavam desflorestadas antes de 2020. O resultado indica o potencial da atividade para recuperar e dar novo uso produtivo a áreas já alteradas.

Pará lidera expansão

O Pará concentra a maior parte da área cultivada. Em 2024, foram identificados 116.436 hectares de cacau em 61 municípios, aumento de 33,26% em relação aos 87.309 hectares registrados em 2022. A expansão representou 29.128 novos hectares em dois anos.

Do total incorporado no período, 63% foram destinados ao cultivo a pleno sol e 37% a Sistemas Agroflorestais (SAFs), que combinam o cacaueiro com espécies florestais e frutíferas. Para o pesquisador Adriano Venturieri, da Embrapa Amazônia Oriental, o crescimento dos cultivos a pleno sol reforça a necessidade de políticas que estimulem sistemas agroflorestais, importantes para a diversificação produtiva e a oferta de serviços ambientais.

A agricultura familiar tem participação expressiva na cacauicultura paraense. O estudo identificou 31.843 áreas produtoras, sendo que 84,65% possuem até cinco hectares e cerca de 74,55% estão em propriedades de até 50 hectares. Medicilândia, Uruará, Brasil Novo, Altamira e Tomé-Açu estão entre os principais municípios produtores.

Rondônia aposta nos sistemas agroflorestais

Em Rondônia, foram mapeados 5.340 hectares de cacau distribuídos por 51 municípios. O estado apresenta uma característica diferente do Pará: 62% da área identificada está em Sistemas Agroflorestais, enquanto 38% corresponde a cultivos a pleno sol.

A produção também é marcada pela presença de pequenas propriedades. O levantamento registrou mais de 38 mil áreas produtoras, das quais 75% possuem até cinco hectares. Jaru, Porto Velho, Theobroma, Ouro Preto do Oeste e Mirante da Serra estão entre os principais polos.

Além do aspecto produtivo, o mapeamento tem importância para a rastreabilidade da cadeia do cacau. Apenas 3,9% das áreas cultivadas em locais antropizados no Pará e 2% em Rondônia foram implantadas em áreas desmatadas após 2021. O dado ganha relevância diante das exigências do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que estabelece restrições para commodities provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

Os resultados indicam que a cacauicultura pode contribuir para a recuperação produtiva de áreas já alteradas da Amazônia, conciliando geração de renda, agricultura familiar e conservação ambiental, desde que a expansão seja acompanhada por critérios de sustentabilidade e rastreabilidade.

Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações da Embrapa Amazônia Oriental
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