
O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) subiu em março pelo segundo mês seguido, impulsionado principalmente pela alta nos preços da energia decorrente do agravamento do conflito no Oriente Médio. O indicador atingiu média de 128,5 pontos, uma alta de 2,40% em relação ao nível de fevereiro e de 1% sobre o do mesmo período do ano passado. O resultado foi sustentado pela alta generalizada dos índices de cereais, óleos vegetais, carnes, laticínios e, especialmente, do açúcar.
O índice de preços dos cereais registrou uma alta de 1,50% em relação ao mês anterior. O movimento foi liderado pelo trigo, cujas cotações internacionais subiram 4,30% devido à deterioração das lavouras nos Estados Unidos pela seca e à expectativa de menor área plantada na Austrália por causa dos custos elevados de fertilizantes. O milho registrou uma leve alta sustentada pela demanda para produção de etanol, enquanto o índice do arroz caiu 3% em função do período de colheitas e da depreciação cambial frente ao dólar.
O índice de óleos vegetais subiu 5,10% em março, situando-se 13,20% acima do nível registrado um ano antes. As cotações internacionais dos óleos de palma, de soja, de girassol e de colza subiram acompanhando a alta do petróleo, o que elevou as expectativas de uma demanda mais firme por parte da indústria de biocombustíveis.
O índice de carnes subiu 1% no mês. A carne suína registrou uma alta na União Europeia antes do fortalecimento sazonal da demanda, enquanto os preços da carne bovina subiram com destaque para o Brasil, onde a oferta de exportação caiu devido à menor disponibilidade de gado. Em contrapartida, as carnes ovinas e de frango recuaram, em parte por limitações logísticas de acesso aos mercados no Oriente Médio.
O índice do açúcar registrou a maior alta do mês, de 7,20% em março. A valorização ocorreu pela expectativa de que o Brasil, principal exportador mundial, destine mais cana-de-açúcar para a produção de etanol para compensar a alta do petróleo, o que superou o cenário de oferta favorável na Índia e na Tailândia. O índice de laticínios também subiu 1,20%, impulsionado pelo leite em pó na Oceania, apesar da queda nos preços do queijo na Europa.
Perspectivas para 2026
A FAO atualizou as suas estimativas para a produção mundial de trigo em 2026, projetando um volume de 820 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,70% em relação ao ano passado. A queda é atribuída a preços menores e condições climáticas adversas na União Europeia, na Rússia e nos EUA, embora a produção na Índia deva registrar um volume recorde.
Para o milho, a FAO estima produções acima da média na Argentina, no Brasil e na África do Sul. No entanto, a escalada das tensões no Oriente Médio e os custos elevados de insumos trouxeram incertezas adicionais sobre a oferta e o comportamento dos preços para o restante de 2026 e para o próximo ano.






