
A produção nacional de mel tem crescido nos últimos anos, com cerca de 64 mil toneladas produzidas em 2023 e com tendência de expansão contínua, apesar de alguns desafios estruturais e ambientais. No entanto, o consumo interno ainda é baixo, um quarto ainda da média global e isso limita o escoamento interno, de acordo com Sérgio Farias, presidente da Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA). Relatórios estaduais destacam um crescimento de produção em diversas regiões, como Piauí e Goiás.
Apicultura
Alguns investimentos públicos e privados em tecnologia, manejo e organização cooperativista têm fortalecido regiões como Piauí, Goiás e Santa Catarina.
Entretanto, o presidente da CBA cita alguns obstáculos da apicultura no Brasil, sendo um do maior deles a vulnerabilidade a choques climáticos como as secas no Nordeste e variações de floralidade em biomas como Cerrado e Mata Atlântica que tem sido muito alterados por conta da ação humana.
“Existe uma dependência ainda de métodos tradicionais e pouca mecanização, pressões de pragas, doenças e uso inadequado de defensivos agrícolas que impactam colmeias e polinizadores”, ressaltou Sérgio Farias.

Meliponicultura
Na meliponicultura a atividade segue mais artesanal, refletindo sua importância socioambiental. O Brasil abriga centenas de espécies nativas de abelhas sem ferrão (Meliponini) com potencial para produção de mel diferenciado e outros produtos como própolis e pólen.
Esta atividade ainda tem produção em pequena escala e muitos produtores enfrentam gargalos para escoar produtos e profissionalizar sua cadeia. O manejo e a legislação ainda estão em lento desenvolvimento com esforços crescentes para estabelecer padrões e segurança alimentar específica para produtos de abelhas sem ferrão.
Na visão da CBA, as duas práticas (apis e meliponicultura) tem importância fundamental para a polinização e conservação da biodiversidade, contribuindo para a manutenção de ecossistemas agrícolas e naturais.
Expectativas de produção
Com relação à apicultura, dados preliminares mostram que a produção de mel tende a seguir sólida com desafios climáticos e logísticos similares que podem moderar as taxas de crescimento.
Demanda interna
Algumas projeções da demanda interna sugerem estabilidade ou com a possibilidade de um leve declínio no consumo doméstico em 2026, caso não seja incentivado, conforme entendimento da Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura.
Em se tratando da meliponicultura, a tendência é que a produção continue crescendo de forma orgânica e localizada com maior interesse de consumidores por produtos artesanais, naturais, além de apreciadores da alta gastronomia, mas não há uma previsão de volumes expressivos comparáveis à apicultura.
Segmentos com maior potencial
O consumo nacional de mel, no mercado interno, é significativamente inferior à média global, girando em torno de 60 gramas por pessoa por ano. Para tanto, produtos que agregam valor, a exemplo de produtos orgânicos, mel de terroir (de flores específicas) e produtos de meliponicultura, têm encontrado maior aceitação nas feiras, nos mercados locais e alguns canais especializados.
Sérgio Farias destaca como segmentos com maior potencial, produtos orgânicos monoflorais, que têm margens mais altas mesmo com menor volume; além de derivados apícolas como própolis, pólen e geleia real – artigos procurados por mercados de saúde e bem-estar. “Ressalto também canais de venda direta e cooperativas, como a Coopmel, aqui em Brasília, fortalecendo a agregação de valor e fidelização de clientes”.
Comércio exterior
Em 2025, o Brasil exportou cerca de 32,5 mil toneladas de mel, apresentando um aumento de receita (US$ 109,7 milhões) mesmo com uma leve queda em volume, impulsionado por preços internacionais mais altos.
“Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações, apesar do problema que tivemos com tarifas elevadas impostas, que reduziram alguns volumes. Há um esforço crescente de diversificação de mercados, visando a Europa, Canadá e mercados emergentes na Ásia e Oriente Médio”, reforçou a CBA.
Brasil e o mercado global
O Brasil está entre os principais produtores e exportadores de mel do mundo, ocupando a 4ª posição como exportador em potencial. A qualidade do mel brasileiro é reconhecida internacionalmente e valorizada internacionalmente, o que ajuda nas exportações mesmo diante de questões sérias, como barreiras tarifárias.
“Precisamos superar alguns desafios competitivos, como a concorrência de países com custos menores e maior escala, além de questões relativas a padrões fitossanitários e barreiras comerciais. A dependência de mercados específicos (como os EUA) ainda é um risco, mas a diversificação pode ser trabalhada” enfatizou Sérgio.
Com relação à produção global de mel de abelhas sem ferrão, o Brasil tem um potencial único devido à sua grande biodiversidade, mas ainda limitado por escala e estrutura de mercado.






