
O AgNest, farm lab fundado pela Embrapa e pelo Banco do Brasil, deu um passo decisivo em sua missão de acelerar o agro nacional. Em 10 de dezembro, em Jaguariúna (SP), o hub selecionou empresas do programa Sebrae para Startups para validar tecnologias em um ambiente crucial: o campo, sob condições reais de cultivo.
As startups avaliaram suas soluções a uma rigorosa banca de pesquisadores das Unidades Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Agricultura Digital e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O objetivo foi avaliar a maturidade das propostas e seu real potencial de aplicação no agronegócio.
As empresas que garantiram a vaga para os testes de campo são: AgScore, C3 Ambiental, Insuma Biotecnologia, Mondi Energy e Nutralis. Com essa seleção, elas passam a integrar o sistema inovador do AgNest para testar suas soluções diretamente na safra de inverno em 2026.
Essa faz parte do SpeedAgro , a trilha do Sebrae focada na orientação de tecnologias agrícolas. Criado em 2023, o programa abrange polos de produção em busca de soluções capazes de ganhar escala. A parceria com o AgNest, consolidada em outubro de 2025 é estratégica: o Sebrae, como parceiro associado, indicou as cinco startups escolhidas para iniciarem os testes no farm lab.
Para Janaína Tanure, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Meio Ambiente, o processo reforça o papel do AgNest como ele entre a pesquisa e o empreendedorismo.
“A seleção definindo quais startups irão validar soluções no campo, e contar com pesquisadores da Embrapa na banca garantem rigor técnico e precisão na escolha”, afirma Tanure. Ela ressalta a singularidade do projeto: “Poucos ambientes oferecem condições reais de cultivo para teste de tecnologias. O farm lab torna o AgNest único no país. Aqui, a validação acontece no campo, sob condições que refletem o dia a dia do produtor.”

Validação em Campo
O consultor do Sebrae-SP e integrante do Sebrae para Startups, Helmo Basso, classifica o encontro como um marco na parceria institucional. Segundo ele, o SpeedAgro é fundamental para identificar soluções promissoras ao longo do “corredor do agro” e conectar empresas com trajetória consistente.
“Estamos no AgNest para definir quais startups terão a chance de validar suas tecnologias no farm lab da Embrapa, nosso principal parceiro nessa jornada. É um momento simbólico, porque consolida meses de trabalho conjunto”, disse Basso.
Ele elogiou o papel dos pesquisadores da Embrapa na avaliação. “A experiência deles trouxe perguntas certas e sugestões inovadoras. As startups saem daqui com aprendizados que certamente encontrariam em outro ambiente. Nós mesmos, do Sebrae, levamos muito conhecimento dessa troca.”
Basso também reforça o caráter inovador do AgNest: “Validar uma solução diretamente em área de cultivo ainda é rara no Brasil. Há iniciativas semelhantes, mas não com a estrutura que a Embrapa mantém aqui. Hoje, nosso programa de tração é o único no país que oferece a possibilidade de testar tecnologias em uma fazenda experimental real antes da chegada ao mercado.”
O encontro evidenciou a força do ecossistema de inovação em formação no país, segundo Geraldo Magela de Almeida, pesquisador da área de insumos da Embrapa Agricultura Digital.
“As apresentações mostram o dinamismo das empresas que querem entrar em um mercado gigante e em expansão. Para a Embrapa, é uma oportunidade de contribuir com o conhecimento que geramos e, ao mesmo tempo, ajudar a acelerar tecnologias que vão beneficiar diretamente o produtor”, afirmou Almeida.
Ele destaca que a parceria permite avançar em soluções ainda na fase inicial. “Estamos validando propostas que estão no estágio de prova de conceito e precisam evoluir para níveis de atualização tecnológica mais altos. Esse processo reduz o tempo de desenvolvimento e antecipa a chegada ao mercado.”
Visão de Futuro para os Bioinsumos
Para o pesquisador Marcos Faria da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia/Meio Ambiente, o evento foi um espaço de aprendizado compartilhado entre gerações. “Foi extremamente enriquecedor. A troca com os jovens empreendedores funciona como uma atualização para nós, pesquisadores. Aprendemos muito com a energia e a visão deles”, afirmou.
Faria apontou tendências que devem ganhar relevância, como soluções baseadas em organismos vivos e pesquisas com microalgas — ainda incipientes no Brasil —, além do avanço dos bioderivados e metabólitos. “Participar do processo nos mostra o que está surgindo de mais promissor. A Embrapa participou ativamente e acredita que contribuímos de forma importante para fortalecer o futuro dos bioinsumos no país.”
Com a definição das cinco startups finalistas, o AgNest consolida sua missão de aproximar ciência, empreendedorismo e produção agrícola, acelerando tecnologias que podem transformar o cotidiano do produtor brasileiro.






