Dólar fecha em alta em movimento de correção

O dólar comercial fechou em alta de 0,34%, cotado a R$ 3,3908 para compra e a R$ 3,3915 para venda, com máxima de R$ 3,4108 e mínima de R$ 3,3813. Com isso, recuperou parte da queda de 0,81% do dia anterior.

A alta de hoje dólar interrompeu uma sequência de três quedas que levou a moeda a testar patamares na casa de R$ 3,37. O fato de a cotação registrar hoje sua primeira alta na semana e superar a marca psicológica de R$ 3,40 durante o pregão, reforçou a percepção de que o dólar mudou de patamar e que tenderá a operar com mais volatilidade e cotações mais altas.

Sem grandes notícias no plano local, o mercado se voltou para o movimento nos mercados internacionais de câmbio.

Por volta das 17h35 (Horário de Brasília), o Dollar Index estava em alta de 0,30%, cotado aos 89,62 pontos, enquanto o euro estava em baixa de 0,21%, cotado a US$ 1,2347.

As commodities seguem próximas de máximas desde 2015, mas, diferentemente de ontem, sem expressiva valorização, o que retira o suporte das moedas emergentes. De carona na tese de que a escalada das matérias-primas pode gerar pressões inflacionárias à frente, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos voltam a operar acima de 2,90% pela primeira vez em um mês, na terceira sessão consecutiva de alta.

O Banco Central vendeu todo o lote de 3.400 contratos de swap cambial tradicional. Com a venda de hoje, o BC já rolou US$ 1.530 bilhão do total de US$ 2.565 bilhões que vence em maio.

Se mantiver esse volume diário e vendê-lo integralmente, o BC rolará o valor total dos swaps que vencem no próximo mês.

Juros futuros sobem com falta de visibilidade política

A falta de visibilidade no quadro eleitoral coloca o mercado de juros num momento delicado para novas expectativas. Investidores são pouco estimulados a alongar posições, mesmo com a percepção de que as operações de curto prazo perdem a atratividade já que o ciclo de flexibilização monetária estaria perto do fim.

A queda da Selic na próxima reunião do COPOM, em maio, já é uma expectativa bem consolidada no mercado. E a possível extensão do ciclo é minimizada pelo fato de que os dirigentes do Banco Central seguem reiterando que o processo deve ser interrompido a partir dali.

“Os juros curtos devem ficar engessados a partir de agora, já que o BC tem reforçado a sinalização de que irá interromper o ciclo de afrouxamento após corte da Selic para 6,25% em maio”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho. “Já os longos corrigiram um otimismo e agora entram numa fase mais estável, à mercê da evolução do cenário eleitoral”.

Mesmo com pouco espaço para atuar nas taxas de curto prazo, os agentes financeiros aguardam mais clareza no campo político para se posicionar em taxas mais longos. O resultado é a ampla distância entre as pontas da curva de juros, algo que poderia significar uma janela de entrada no mercado.

“Ainda tem gordura nos juros intermediários e, para quem tiver estômago, dá para alongar a aposta, mas realmente precisa de firmeza porque ainda vai ter muito susto no caminho”, disse Paulo Petrassi, sócio e gestor da Leme Investimentos.

Os candidatos reformistas ainda patinam nas pesquisas de intenção de votos e os nomes que ganham projeção não são garantia de governabilidade caso tomem o poder. Por isso, movimentos mais positivos no mercado só são esperados com o aumento da confiança no ajuste fiscal, o que deve acontecer gradualmente, dizem os especialistas.

“É um momento de cautela, ninguém vai fazer uma grande operação na inclinação da curva sem clareza na política”, disse Fernando Ferez, estrategista de renda fixa da Renascença.

O rumo fiscal, inclusive, acaba dando mais lentidão à aposta de juros baixos por mais tempo, que seria incentiva pelo quadro atual de inflação contida e a atividade fraca. Amanhã, o mercado acompanha a divulgação do IPCA-15 de abril, que pode reforçar o sinal positivo da conjuntura econômica. No entanto, ainda não se espera uma queda mais acentuada nas taxas dos DIs.

“Em termos de fundamentos, só será possível fazer qualquer estimativa para um futuro ciclo de aumento de juros quando todos souberem qual será o rumo do fiscal. Por isso teremos bastante volatilidade nesse meio tempo”, disse Hugo Monteiro, analista de Investimentos da BullMark.

No meio deste ambiente de cautela, os ativos têm fôlego limitado para resistir à pressão externa, a exemplo do que ocorreu nesta quinta-feira (19/4). Sem os ventos favoráveis lá de fora, as taxas dos DIs com prazos mais longos voltaram a subir. O DI janeiro/2023 avançou 0,03% para 9,060%, após três dias seguidos de queda.

Por volta das 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 estava cotado a 6,230% (6,220% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 subia para 6,930% (6,900% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 era negociado a 7,900% (7,860% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 subia para 9,060% (9,030% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 estava cotado a 9,590% (9,560% no ajuste anterior).

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