O dólar comercial fechou em alta de 0,63%, cotado a R$ 3,4066 para compra e a R$ 3,4080 para venda, com máxima a R$ 3,4095 e mínima a R$ 3,3650, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baixou o tom de suas ameaças ao indicar que um ataque à Síria pode não ser tão iminente.
A moeda norte-americana chegou a se aproximar de R$ 3,35 reais, mas o nível acabou atraindo compradores e o movimento de queda perdeu força.
“Com a queda…, devedores estão se aproveitando para pagar compromissos internacionais”, indicou a Fair Corretora em relatório.
Depois de ter prometido uma ação rápida e decisiva contra a Síria após relatos de possível ataque com gás venenoso que matou dezenas de pessoas, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que o ataque contra a Síria poderia ocorrer “muito em breve ou nem tão logo assim”.
No mercado internacional, por volta das 17h30 (Horário de Brasília), o Dollar Index estava em alta de 0,27%, cotado aos 89,46 pontos, enquanto o euro estava em queda de 0,31%, cotado a US$ 1,2329.
Internamente, o quadro político ainda traz cautela ao mercado, diante de um quadro eleitoral ainda bastante incerto.
O Banco Central vendeu todo o lote de 3.400 contratos de swap cambial tradicional. Com a venda de hoje, o BC já rolou US$ 680 milhões do total de US$ 2.565 bilhões que vencem em maio.
Se mantiver esse volume e vendê-lo integralmente, o BC rolará o valor total dos swaps que vencem no próximo mês.
Juros futuros recuam com varejo fraco e debate sobre inflação
Os contratos futuros de taxas de juros recuaram nesta quinta-feira (12/4), enquanto o mercado vislumbra períodos mais longos de taxas baixas num contexto de queda da meta inflacionária.
Poucos dias após mais uma surpresa com a inflação, foi a vez do dado de vendas no varejo de fevereiro mostrar um ambiente propício para estímulo monetário. A atividade ficou no negativo no segundo mês do ano, contrariando as expectativas do mercado.
“Com o péssimo resultado das vendas no varejo, o mercado vislumbra a possibilidade de ciclo mais longo de juros baixos e possibilidade menor de altas lá na frente”, disse o operador Luis Laudísio, da Renascença.
A conjuntura econômica dá suporte à expectativa de queda nas metas de inflação. O debate foi estimulado ainda por matéria do jornal “O Globo”, que aponta como certa a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de derrubar o teto da meta de 2021 para 3,75% ao ano.
O Banco Central negou a informação de que já houve uma definição e reiterou que a nova meta só sai na reunião do CMN, em 26 de junho. Ainda assim, o mercado já vem trabalhando com o cenário de queda gradual das metas. No ano passado, já foi definido que a meta de inflação sai do nível atual de 4,50% em 2018 para 4,25% em 2019 e 4,00% em 2020.
“A percepção é a de que vamos ver uma ‘escadinha’ na meta de inflação até aproximadamente 3%, que ficaria em linha com emergentes mais sérios”, disse o economista-chefe da Garde, Daniel Weeks. México, Colômbia e China, por exemplo, têm a meta centrada em 3%.
Caso essa “escadinha” se confirme, a leitura é de que a Selic não precisará subir tanto no futuro, ficando em níveis mais contidos por mais tempo. Isso porque as metas mais ousadas num contexto de Banco Central com credibilidade tendem a afetar positivamente as expectativas, o que ajudaria a conter a própria inflação e limitar a necessidade de juros mais altos.
No meio do caminho, entretanto, há a incerteza política e a necessidade de ajustes econômicos. O que deve mostrar se o alvo é ambicioso demais é a situação fiscal, que depende dos esforços de um futuro governo para ajustar as contas públicas.
A atual direção da política econômica abre espaço para queda na meta de inflação, que se torna um cenário crível, mas não isento de riscos, na avaliação da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.
“O BC venceu uma batalha importante (para ancorar expectativas de inflação), mas o que define a inflação é a situação fiscal”, disse. “Não é por causa de 0,25% que vamos ter um cenário totalmente diferente (…) Se der errado, até os 4% ficam ambiciosos”, acrescenta.
Num cenário benigno, o novo governo deve mostrar que possui uma agenda forte, mesmo que não seja fácil para aplicá-la. Neste caso, dadas as condições econômicas, o BC vai conseguir manter a Selic em território expansionista por um “bocado de tempo”. E quando for o momento de subir juros, será menor que o esperado, disse Zeina.
No entanto, até a reunião do CMN em junho, não se deve ter tanta clareza. Com isso, a queda da meta de inflação pode ter cunho simbólico. “A redução da meta, de 4% para 3,75%, reafirma a confiança de que as reformas serão feitas, tem um simbolismo muito grande”, acrescenta Zeina.
Por volta das 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 estava cotado a 6,225% (6,260% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 caia para 6,980% (7,060% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 cedia para 8,010% (8,090% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 era negociado a 9,110% (9,160% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 estava cotado a 9,620% (9,670% no ajuste anterior).





