Brasil e Coreia do Sul firmam acordos para fortalecer o agronegócio

Os acordos são parte de um esforço conjunto de aprofundar o diálogo técnico e institucional, promover a segurança alimentar e fortalecer a integração dos mercados rurais. – Edição de imagem: Larissa Machado

Em um movimento considerado estratégico para o futuro do agronegócio brasileiro, Brasil e Coreia do Sul consolidaram, nesta segunda-feira (23), uma série de acordos bilaterais com foco no setor agropecuário, tecnologia rural, sanidade e cooperação regulatória.

As assinaturas ocorreram na capital sul-coreana, durante uma visita oficial do chefe de Estado do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, àquele país, onde se reuniu com o presidente Lee Jae Myung em uma cúpula que amplia e aprofunda a relação entre as duas nações.

A agenda marcou um reforço na parceria entre os países, com destaque para duas principais áreas de cooperação agrícola e inovação no campo. Os acordos são parte de um esforço conjunto de aprofundar o diálogo técnico e institucional, promover a segurança alimentar e fortalecer a integração dos mercados rurais.

Cooperação agrícola e inovação

O primeiro memorando de entendimento firmado entre os ministérios da Agricultura do Brasil e da Coreia do Sul estabelece uma agenda de cooperação voltada ao intercâmbio técnico e institucional, com foco na modernização do setor agropecuário. O acordo prevê iniciativas conjuntas em agricultura digital e tecnologia rural, visando o aumento da produtividade e a atualização das práticas no campo, além de ações voltadas à segurança alimentar e ao fortalecimento das cadeias de abastecimento, com maior estabilidade e integração logística entre os dois países. Também estão contempladas medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com o objetivo de facilitar o comércio de produtos agropecuários e promover a harmonização das normas técnicas e regulatórias.

Como parte desses compromissos, foi anunciada a criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil-Coreia, que terá a missão de acompanhar a implementação dos acordos, promover pesquisas colaborativas e fomentar intercâmbio de especialistas entre instituições públicas e privadas.

Regulamentação e bioinsumos

O segundo memorando envolveu uma articulação mais ampla entre diferentes órgãos brasileiros, como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia. O principal objetivo é estruturar uma cooperação regulatória que abranja registro, avaliação e gestão de defensivos e bioinsumos, com intercâmbio de informações técnicas e desenvolvimento de pesquisas conjuntas.

Entre as ações previstas, já nas próximas semanas, estão a realização de programas de capacitação, workshops técnicos e projetos científicos que envolvem instituições de pesquisa e empresas de ambos os países, com potencial para acelerar a adoção de tecnologias sustentáveis no campo brasileiro.

Diplomacia ampliada e impactos econômicos

Os acordos fazem parte de um quadro mais amplo de fortalecimento das relações entre Brasil e Coreia do Sul. No mesmo encontro, os presidentes Lula e Lee Jae Myung elevaram o relacionamento bilateral ao nível de parceria estratégica, estipularam um plano de ação de quatro anos e concordaram em retomar negociações de um tratado de livre comércio entre a Coreia e o bloco Mercosul, que inclui o Brasil e outros países sul-americanos.

Embora o foco principal da agenda tenha sido o fortalecimento da cooperação econômica e tecnológica, a agricultura foi destacada por ambos os lados como um pilar essencial dessa parceria. Autoridades brasileiras enfatizaram que o agronegócio não é apenas um setor de exportação de commodities, mas um elemento chave para a segurança alimentar global, destacando a necessidade de agregar valor aos produtos brasileiros no exterior.

Além disso, houve anúncios de avanços em negociações sanitárias que podem favorecer, no futuro, a ampliação do acesso de produtos brasileiros como ovos, uva e carnes suína e bovina ao mercado sul-coreano, embora a abertura plena desses mercados ainda dependa de auditorias e certificações sanitárias específicas.

Por Larissa Machado
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