*Confira a entrevista com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora)
As exigências do mercado mundial de produtos agropecuários, somadas à crise climática e ambiental que assola todo o planeta são verdadeiras intimações para que sejam adotadas medidas reconstrutivas no âmbito da agricultura, floresta e pecuária.
Diante deste cenário, o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), apresenta uma nova estratégia do agro. “A adesão do agro brasileiro à agricultura regenerativa deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma estratégia a produtores que querem acessar um mercado diferenciado e novos compradores”, ressaltou Ben-Hur Rosa, coordenador de Certificação Agrícola do Imaflora.
Bem-Hur Rosa afirma que há uma adesão crescente a temáticas relacionadas a modos sustentáveis de produção e de recuperação do meio ambiente, impulsionada por programas e significações relativas à agricultura regenerativa. “O Brasil tem um grande potencial de liderar esse tema globalmente, principalmente por sua alta biodiversidade e por sua produção em larga escala”.
Certificação Rainforest Alliance
A Imaflora conduziu a primeira certificação de agricultura regenerativa no mundo, em uma propriedade de café, em São Paulo, junto à Rainforest Alliance, certificadora que atua em 62 e que envolve uma série de normativas para tornar a produção agrícola responsável tanto social quanto ambientalmente. Os produtos que levam seu selo demonstram aos clientes que as matérias-primas utilizadas são de fontes confiáveis, sem o uso de trabalho degradante ou destruição ambiental.
“Esta certificação é conhecida globalmente, gerando uma relação de confiança daquele comprador e consumidor que vai adquirir o produto com este selo. No Brasil, o impacto da Rainforest Alliance é bem significativo, pois o produtor que está dentro do sistema consegue acessar um mercado mais exigente”, explicou o coordenador de Certificação Agrícola do Imaflora, acrescentando que um dos gargalos neste processo passa pela necessidade de o agricultor entender que agora faz parte de um trâmite de certificação e que tem regras a cumprir.
Mercado consumidor
O mercado consumidor também tem participação neste movimento de adesão das certificações, por parte do produtor, uma vez que há uma crescente exigência de informações sobre a origem dos produtos no ato da compra.
“Nós conseguimos identificar que cada vez mais os consumidores estão preocupados com a origem do produto. O tema de um produto livre de desmatamento é uma exigência global. Então a gente consegue enxergar que existe um aumento no interesse sobre este assunto. E as certificações robustas conseguem promover a segurança dessa informação.
Certificação Beef on Track (BoT)
Já no setor da pecuária, a Imaflora lançou, recentemente, o sistema de certificação Beef on Track (BoT), o primeiro no mundo a certificar uma carne livre de desmatamento. Em harmonia com a Contribuição Nacionalmente Determinada brasileira, que se alicerça na meta de reduzir o desmatamento e as emissões provenientes da agropecuária, o selo BoT possibilita aos mercados varejistas, importadores ou consumidores finais, um reconhecimento mais ágil da carne livre de desmatamento.
“É importante esclarecer que essa é uma certificação do sistema de compra dos frigoríficos, mas uma vez que essa certificação traduz a conformidade da produção dos produtores rurais e que são processados dentro da indústria frigorífica, esse sistema de certificação tem a possibilidade de dar uma visibilidade internacional para a boa performance da pecuária brasileira, gerando um melhor ambiente tanto de acordos comerciais, quanto acesso a crédito; enfim, tudo o que direta ou indiretamente afeta a vida brasileira”, frisou Marina Guyot, gerente Executiva de Clima, Uso da terra e Políticas Públicas do Imaflora.






