Após avanços pontuais, seguro rural e acesso a crédito ainda preocupam

Após recesso, bancadas do setor trabalharão para avançar em projetos decisivos quanto ao crédito rural e cobertura securitária, que atravessam fase delicada. Crédito: Freepik 

Volta do recesso, adiada para a próxima semana, trará desafios às bancadas

Com a retomada das atividades no Congresso Nacional na próxima semana, frentes parlamentares do setor agropecuário enfrentarão desafios quanto ao crédito rural e cobertura securitária. Com menos sessões presenciais em função do período eleitoral, os deputados e senadores tentarão avançar nesses pontos em votações importantes, num cenário de endividamento crescente dos produtores, que lidam com sucessivos ciclos de perdas de safra em eventos climáticos adversos e aumento nos custos de produção.

Conforme repercutiu o Portal SNA, o ritmo de crescimento das dívidas e o início da safra 2026/2027 tornaram a renegociação uma pauta urgente. A Frente Parlamentar da Agropecuária acelerou a tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023, que trata do tema. No entanto, diante do entendimento político de que o texto seria vetado caso fosse aprovado, a proposta não resolveria o problema de forma emergencial. Por isso, a Medida Provisória 1.376/2026, foi considerada o acordo possível com o governo para viabilizar a repactuação das dívidas.

Novos projetos de lei buscam ampliar alternativas

Atuação da FPA tem se mostrado decisiva para votações importantes, mesmo com as sessões limitadas devido ao período eleitoral. Na foto, os deputados Arnaldo Jardim, Pedro Lupion e a senadora Teresa Cristina. Crédito: Agência FPA

Mas outras iniciativas estratégicas estão a caminho. Um exemplo é Open Finance do agro. O Projeto de Lei 3.123/2025 cria um sistema de compartilhamento de informações do produto rural que reunirá diferentes bases de dados em que os bancos poderão acessar de forma simplificada. O acesso dependerá de autorização prévia do produtor. Atualmente, a proposta aguarda análise do Plenário da Câmara dos Deputados, após a aprovação do requerimento de urgência. Se aprovada pelos deputados, a matéria seguirá para o Senado Federal. O autor da matéria é o coordenador institucional da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB – RS).

A bancada também analisa um pacote de propostas para modernizar a oferta de crédito ao setor agropecuário. As mudanças, reunidas sob o nome de Lei do Agro 3, abrangem ao menos 11 temas e têm potencial para acrescentar R$ 800 bilhões à oferta de crédito. Entre as alterações está a ampliação da participação do capital estrangeiro no financiamento da produção. Esses recursos costumam ser captados com juros mais baixos do que os praticados no Brasil, o que torna a expansão dessa fonte uma alternativa para o setor. Com isso, os parlamentares miram numa reestruturação mais ampla do crédito rural.

Cobertura securitária também mobiliza atenções e esforços

Estudo da FGV Agro revelou o quanto ainda falta avançar na cobertura securitária para produtores brasileiros. Levantamento contou com apoio da FPA. Crédito: SOPRO Produtora

Já o seguro rural é avaliado como tópico mais delicado. A safra 2026/2027 começou com um cenário de restrição orçamentária para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Dos R$ 1,01 bilhão previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA), apenas R$ 473,8 milhões estão disponíveis. A situação acende um alerta para o setor agropecuário. Além do endividamento rural e das margens de produção comprimidas, as projeções climáticas indicam a possibilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade muito forte nos próximos meses.

Apesar dos avanços ocorridos desde a edição da Lei da Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, em 2003, a penetração do seguro no meio rural brasileiro ainda é muito reduzida”, afirmou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos – PR), que também criticou a falta de previsibilidade dos recursos destinados ao programa.

Estudo elaborado pelo Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e divulgado em julho estima que a área segurada poderá recuar para 2,69 milhões de hectares neste ano. O volume representa apenas 2,78% da área agrícola do Brasil. O levantamento indica que, com a execução integral do orçamento previsto para o PSR, a cobertura poderia alcançar 5,7 milhões de hectares. Os pesquisadores também apontam os impactos da instabilidade orçamentária sobre toda a cadeia produtiva.

Vulnerabilidade dos produtores demanda ações mais fortes

Eventos climáticos deixam o setor vulnerável e expõem contrastes regionais, com certos cultivos sofrendo mais que outros. Crédito: Arquivo SNA

Além da restrição orçamentária, o Seguro Rural deverá enfrentar maior pressão diante da possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño. De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 97% de probabilidade de que o fenômeno se prolongue até março.

Uma das soluções defendidas pela FPA para fortalecer o Seguro Rural é o Projeto de Lei 2.951/2024, que reformula o PSR e viabiliza o funcionamento do Fundo de Catástrofe. A versão mais recente do texto foi relatada pelo deputado Pedro Lupion, e aprovada pela Câmara dos Deputados. Entre os principais pontos, a proposta impede o contingenciamento e o bloqueio dos recursos destinados ao PSR. O texto também permite que sobras orçamentárias do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária sejam direcionadas ao Seguro Rural, desde que a medida não comprometa o funcionamento do próprio Proagro.

O projeto está na fase final de tramitação. A matéria teve origem no Senado Federal, foi aprovada pela Câmara dos Deputados com alterações e retornou para nova análise dos senadores. Esses e outros tópicos poderão avançar a partir do próximo dia 10 de agosto, com a retomada dos trabalhos no Congresso, e beneficiar imensamente os produtores agropecuários.

Por Marcelo Sá – jornalista, editor e produtor literário (MTb 13.9290)  marcelosa@sna.agr.br
Com informações da Assessoria FPA (Agradecimento – Danielle Arouche)
Dados complementares: Fundação Getúlio Vargas e Ministério da Agricultura

 

 

 

 

 

 

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