
Cúpula da Pasta conta com novos nomes
A seis meses das eleições, o governo promoveu mudanças no Ministério da Agricultura, para que os integrantes que pretendem concorrer em outubro cumpram o período de afastamento exigido pela lei eleitoral. Na semana passada, o titular Carlos Fávaro deixou o posto para disputar novo mandato de senador pelo Mato Grosso. Seu sucessor é André de Paula, que até então comandava o Ministério de Pesca e Aquicultura.
A posse ocorreu na sede da Embrapa em Brasília, em cerimônia prestigiada por dirigentes de entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). André de Paula elogiou o desempenho do antecessor e afirmou que dará continuidade ao modelo de gestão, destacando a importância de políticas como o Plano Safra, o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e o seguro rural.
O novo ministro ressaltou a importância do agronegócio para a economia brasileira e sua pluralidade, enfatizando a necessidade de atenção às transformações tecnológicas. “É um setor essencial para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável do país. Atuaremos com rigor técnico e visão estratégica para qualidade, segurança e sustentabilidade. O espírito de diálogo vai conduzir minha atuação”, concluiu.
Em meio a trocas, há continuidade em cargos estratégicos

O novo secretário-executivo da Pasta é Cléber Soares. Ele substitui Irajá Lacerda, que deixou o posto para cumprir o prazo de desincompatibilização e poder concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados por Mato Grosso. Soares é servidor de carreira da Embrapa e ocupava o cargo de secretário-executivo adjunto até então.
Carlos Goulart continuará na Secretaria de Defesa Agropecuária e Luis Rua na Secretaria de Comércio e Relações Internacionais. Marcelo Fiadeiro segue como secretário de Desenvolvimento Rural. Já o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, decidiu permanecer no cargo e desistiu da candidatura a deputado estadual por São Paulo.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, que prestigiou a cerimônia, manifestou-se em uma rede social. “Parabenizo o ministro André de Paula pela posse à frente do Ministério da Agricultura e Pecuária, uma pasta estratégica para o Brasil e para o fortalecimento das nossas exportações. Tenho convicção de que sua experiência contribuirá para dar continuidade aos avanços do setor. À frente da Abiec, juntamente com nossos associados, seguimos à disposição para colaborar com essa agenda e fortalecer a carne bovina brasileira“.
Ele concluiu em seguida: “Registro também meu agradecimento ao ministro Carlos Fávaro pela parceria e pelo trabalho realizado. Tive a oportunidade de atuar ao seu lado como secretário por mais de dois anos, em uma agenda intensa de abertura de mercados e fortalecimento da presença do agro brasileiro no mundo. Seu trabalho contribuiu muito para o nosso país“.
Fávaro se despede e reflete sobre período no cargo
Durante a cerimônia em que transmitiu o cargo, Fávaro fez um balanço de sua gestão e destacou o que considerou avanços importantes, como a abertura de 555 novos mercados internacionais em três anos, o que permitiu ao Brasil expandir suas exportações mesmo diante de tensões comerciais globais, mantendo a liderança como fornecedor mundial de alimentos.
A conquista do certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação, obtido em junho do ano passado, marcou um dos pontos altos da gestão de Fávaro. Ele também foi recordista de habilitação de frigoríficos para exportação de carne bovina, suína e de aves para a China.
Na área sanitária, passou por embargos temporários por conta da identificação de caso atípico do mal da vaca louca, em 2024, de um foco da doença de Newcastle, em Anta Gorda (RS), e do primeiro, e até agora único, episódio de gripe aviária em granja comercial no Brasil, em Montenegro (RS), em maio de 2025.

Fávaro buscou articulações com o setor agroindustrial, com quem conseguiu manter mais diálogo do que com os produtores rurais. Também manteve boas tratativas com as bancadas parlamentares do setor, o que lhe valeu apoio em momentos delicados, como no auge do tarifaço americano. Mas a resposta lenta à crise dos agricultores gaúchos, agravada pelas enchentes de 2024, bem como a insuficiência do seguro rural nas edições do Plano Safra o colocaram como alvo de duras críticas.
Fávaro encerrou seu discurso afirmando: “Enfim, é uma prestação de contas, talvez um pouco longa, mas resultado de muito trabalho e do esforço de muitas pessoas ao longo desse período. André, siga em frente. Você é tão ou mais competente e vai liderar esse time do Ministério, construindo ainda mais resultados.”






