
A agroindústria começou o ano com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes e encerrou o 1º semestre com retração acumulada de 0,30%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).
Entre os segmentos, os comportamentos foram distintos. Enquanto as indústrias não alimentícias registraram uma contração de 2% no semestre, as de alimentos e bebidas cresceram 1,10% no período. Para o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor” no semestre.
A indústria com pior desempenho no semestre foi a de insumos agropecuários (queda de 8,30% na produção). O segmento já vinha registrando quedas desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, dado seus “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, indicou FGV Agro.
Outros segmentos que também registraram desempenho negativo no semestre foram os de produtos têxteis (- 5%) e produtos florestais (- 2,40%). Já as indústrias de biocombustíveis registraram um aumento da produção, com alta de 18,10% no semestre, impulsionado pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. Também houve alta de 1,60% na produção das indústrias de fumo.
O comportamento das agroindústrias também foi distinto na comparação entre o 1º e o 2º trimestres. Entre janeiro e março, o indicador subiu 0,30% em relação ao mesmo período ao ano passado, enquanto entre abril e junho a produção caiu 0,80%.
No segmento de produtos alimentícios e bebidas, todas as indústrias registraram um aumento de produção no 1º semestre. O destaque foram as indústrias de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, ambas cresceram 1,50%. Já a produção das indústrias de alimentos de origem animal subiu 1,30%, impulsionada por carne e pelos laticínios.
As indústrias de alimentos de origem vegetal cresceram 0,40% até junho, impulsionadas pelas conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café. Enquanto esse segmento avançou 4,40% no 1º trimestre, no trimestre seguinte contraiu 2,70%.
Somente em junho, o PIMAgro caiu 0,90% na comparação anual, a segunda queda consecutiva.
Para o FGV Agro, a agroindústria deverá ser impactada no 2º semestre do ano pelo preenchimento da cota chinesa para a carne bovina. Isso porque a produção destinada ao país asiático vinha dando fôlego para um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. A interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, que deve entrar em vigor em 3 de setembro, também deve afetar o indicador.






