Agro brasileiro é tema de debate estratégico na ESG

Márcio Sette Fortes (esq.) e Antonio Cabrera (dir.) recebendo os certificados de participação – Foto: Larissa Machado

A Escola Superior de Guerra (ESG) promoveu, na última segunda-feira (14), na Fortaleza de São João (RJ), uma atividade do Curso Superior de Defesa (CSD) dedicada à análise dos cenários, desafios e oportunidades do agronegócio brasileiro. O encontro contou com as participações de Antonio Cabrera, membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA) e ex-ministro da Agricultura e Reforma Agrária, e de Márcio Sette Fortes, diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Realizada no âmbito das atividades acadêmicas do CSD, a programação reuniu representantes da ESG, da Escola de Guerra Naval (EGN), da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR). O curso reúne civis e militares e tem entre seus objetivos o desenvolvimento do pensamento estratégico e o fortalecimento da mentalidade de Defesa no país.

Durante o curso, os participantes desenvolvem estudos orientados pelo conceito de “Segurança Ampliada”, que considera diferentes expressões do Poder Nacional. Na etapa final, os trabalhos são direcionados à elaboração de uma proposta acadêmica de Grande Estratégia Nacional com a identificação de setores estratégicos para o desenvolvimento do país e sua inserção nas cadeias globais de inovação e valor.

Entre os setores considerados nas análises deste ano estão os segmentos energético, agroindustrial, aquífero, marítimo, aeroespacial, cibernético e de inteligência artificial, defesa e saúde. Nesse contexto, a participação de especialistas do setor agropecuário buscou ampliar a capacidade de análise dos alunos sobre a importância estratégica do agronegócio para o Brasil.

Antonio Cabrera falando sobre os desafios do agronegócio – Foto: Larissa Machado

Desafios do agronegócio

Na palestra “Desafios do Agronegócio”, Antonio Cabrera apresentou uma análise sobre a evolução do setor brasileiro, especialmente a partir da década de 1990. A exposição destacou o papel dos ganhos de produtividade, da inovação e da tecnologia na transformação do Brasil em um dos principais produtores e exportadores de alimentos do mundo.

Cabrera também abordou a contribuição do agronegócio para a segurança alimentar brasileira e mundial e apontou gargalos que ainda desafiam a competitividade do setor. Entre eles estão a elevada dependência brasileira de fertilizantes importados, dificuldades regulatórias e a necessidade de ampliar a integração logística, especialmente por meio de ferrovias e hidrovias.

Outro ponto mencionado foi o potencial de expansão do Programa Brasileiro de Biodiesel, considerado uma frente ainda passível de maior aproveitamento no contexto da matriz energética e da produção agropecuária.

Márcio Sette Fortes fez análise sobre o cenário internacional do agronegócio – Foto: Larissa Machado

Comércio exterior e novos mercados

Na sequência, Márcio Sette Fortes apresentou uma análise sobre o cenário internacional do agronegócio e os desafios para a manutenção e a abertura de mercados para os produtos brasileiros.

Ao abordar os Estados Unidos, o diretor técnico da SNA destacou questões relacionadas ao ambiente tarifário, ao potencial ainda pouco explorado do comércio bilateral e à importância de produtos como café e carne nas relações comerciais.

Em relação à China, a apresentação tratou de temas como segurança alimentar, aumento da produtividade e os riscos de perda de espaço brasileiro em determinadas commodities. Também foram abordadas as cotas aplicadas à carne bovina, a importância da ampliação das exportações de produtos de maior valor agregado e oportunidades relacionadas ao biodiesel, ao etanol de milho e aos chamados combustíveis verdes.

Sobre a União Europeia, Márcio Fortes destacou as perspectivas relacionadas ao Acordo Mercosul-União Europeia e os mecanismos de proteção da política agrícola europeia. A exposição também abordou possíveis impactos das regulamentações europeias relacionadas ao desmatamento sobre produtos brasileiros destinados ao mercado europeu.

O cenário geopolítico e seus reflexos sobre os custos de produção também fizeram parte da análise. Nesse contexto, foi destacada a vulnerabilidade provocada por eventuais interrupções no Estreito de Ormuz, com possíveis efeitos sobre a oferta e os custos do diesel importado e do gás natural, insumos relevantes para o agronegócio, inclusive na produção de ureia.

(Esq.) Contra-Almirante Fuzileiro Naval Dirlei Donizette Côdo, Frederico Price Grechi (dir. Jurídico da SNA), Antonio Cabrera(ex-ministro da Agricultura), General Jason Diamantino, adido à ESG, e Guilherme Sandoval Goes, prof. de Geopolítica e Direito do PPGSID.

Conhecimento estratégico

Ao final das apresentações, representantes da Escola Superior de Guerra ressaltaram a importância das contribuições dos especialistas para a formação dos estagiários do Curso Superior de Defesa. As reflexões apresentadas por Antonio Cabrera e Márcio Sette Fortes foram consideradas relevantes tanto para os estudos desenvolvidos no curso quanto para a atuação profissional futura dos participantes.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), representada pelo diretor Jurídico, Frederico Price Grechi, e por Guilherme Sandoval Goes, professor de Geopolítica e Direito do Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa (PPGSID) da Escola Superior de Guerra (ESG), participa da coordenação científica do painel Agro do curso. Ambos integram a Comissão Técnica para Assuntos Internacionais da SNA e também estão em tratativas para a celebração de um acordo de cooperação técnica entre a Sociedade Nacional de Agricultura e a Escola Superior de Guerra. A equipe da SNA e os palestrantes foram recebidos pelo general Jason Diamantino, adido à ESG.

A participação dos representantes da SNA teve como objetivo contribuir para a análise estratégica do setor agroindustrial e oferecer aos estudantes elementos para a elaboração de propostas voltadas ao desenvolvimento nacional.

Ao final do encontro, os paletrastrantes receberam certificados em reconhecimento às suas honrosas participações no Curso Superior de Defesa da ESG.

Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Fotos: Larissa Machado

 

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