Adilson de Oliveira Junior é o novo Chefe-Geral da Embrapa Soja

Adilson de Oliveira Junior – Foto: Embrapa Soja

O pesquisador Adilson de Oliveira Junior, 48 anos, assume a Chefia-Geral da Embrapa Soja, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, sediada em Londrina (PR), a partir de 01 de setembro. Com 18 anos de atuação na Embrapa, Oliveira Junior tem o desafio de ampliar a integração das áreas de pesquisa e acelerar o desenvolvimento de soluções integradas de impacto para as cadeias produtivas em que a soja está inserida. Formado em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrina, tem Mestrado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade Federal de Viçosa (2003) e Doutorado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade de São Paulo/Escola Superior de Agricultura ”Luiz de Queiroz” (2008).

O novo Chefe-Geral da Embrapa Soja foi nomeado pela Diretoria-Executiva da Embrapa, após passar por um processo público de seleção, que incluiu a avaliação da candidatura por um Comitê Técnico de Avaliação, formado por membros internos e externos à Embrapa. O processo de seleção considerou a análise de currículo, da proposta de trabalho e audiência pública para defesa do plano de trabalho. A gestão ocorre por um período de dois anos, podendo ser renovada por igual período. Adilson tem ampla experiência em gestão de PD&I e atuou como chefe de Administração da Embrapa Soja, nos últimos seis anos, na gestão de Alexandre Nepomuceno.

Natural de Primeiro de Maio (PR), Oliveira Júnior é filho e neto de agricultores. “Cresci ligado à agricultura e essa vivência no campo me levou à Agronomia. Fiz meu estágio de graduação na Embrapa Soja, na área de fertilidade de solos, e continuei a carreira acadêmica concluindo o mestrado e o doutorado. Por isso, tenho um carinho muito grande por este Centro de Pesquisa e pela cultura da soja”, afirma Oliveira Júnior. Oliveira Júnior destaca que a responsabilidade de assumir a gestão da Embrapa Soja é proporcional à importância da cultura para o País.

Consolidado como o maior produtor mundial de soja — seguido pelos Estados Unidos —, na safra 2025/2026, o Brasil produziu 180 milhões de toneladas do grão, em uma área de 48,5 milhões de hectares e uma produtividade média estimada em 3.697 kg/ha, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “A soja representa 6% do PIB nacional, movimenta mais de R$ 700 bilhões na economia, gera mais de 2 milhões de empregos diretos e indiretos e alavanca boa parte do agronegócio brasileiro. É um desafio gigantesco e também uma satisfação estar à frente de um centro de pesquisa que atua para trazer soluções tecnológicas para esta cadeia produtiva tão relevante”, avalia.

Na visão de Oliveira Junior, o principal desafio do atual sojicultor é equalizar o custo de produção, dificuldade que decorre de problemas relacionados ao manejo de pragas, doenças, plantas daninhas, os eventos climáticos extremos (secas, excesso de chuva, entre outros) e questões geopolíticas

Para Oliveira Júnior, o papel da Embrapa é ajudar o produtor a tomar a melhor decisão possível à luz da ciência e do conhecimento agronômico disponível para que ele obtenha excelentes produtividades, construa um sistema de produção mais adaptado e resiliente para os desafios atuais de produção e se mantenha forte e competitivo a longo prazo. Quando o produtor vai bem os reflexos são sentidos em toda a economia: a cidade gira e o país responde positivamente. “Esses fatores têm levado ao achatamento da margem de lucro do produtor, resultando na redução de investimentos em tecnologia – fertilizantes e manejo do solo, por exemplo. “Trata-se de um cenário arriscado, pois afeta a qualidade dos investimentos nas propriedades, compromete o crédito e pode levar o produtor a perder sua terra”, equaciona.

Neste contexto, Oliveira Junior entente que é papel da Embrapa entregar tecnologias de baixo custo que tragam impacto econômico e ganho de produtividade. “Nossa prioridade será orientar o produtor quanto às práticas que efetivamente geram retorno econômico, ajudando o produtor a manter a produtividade, mesmo quando os cenários fitossanitário e climático não forem favoráveis”, ressalta.

Proposta de atuação

Para o novo Chefe-Geral da Embrapa Soja, além de contribuir para o produtor tomar as melhores decisões em cenários desfavoráveis, a Embrapa tem um papel importante de preparar o ambiente produtivo para novos saltos tecnológicos, com desafios de curto, médio e longo prazo. Nesse sentido, sua proposta de trabalho está estruturada em quatro eixos prioritários de atuação: Sustentabilidade & Métrica (Soja Baixo Carbono / ESG), Bioinsumos & Agricultura Regenerativa,  Genética, Biotecnologia & Mercados de Valor Agregado e Soluções Tecnológicas & Ferramentas Digitais. “Queremos migrar do modelo tradicional de entregas isoladas para a oferta de soluções integradas e precisamos priorizar a colaboração, o compartilhamento de infraestrutura, de recursos”, defende.

Na temática de sustentabilidade, o plano de trabalho estará focado em consolidar o Programa Soja Baixo Carbono, uma iniciativa que vai conectar a produção de soja brasileira com os desafios de sustentabilidade, atuando para definir métricas de certificação, parametrização e quantificação de emissões de gases de efeito estufa. “O objetivo é alinhar a produção às políticas de ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança) aos mercados globais, provando que a soja brasileira é produzida de forma sustentável na maioria das propriedades. O programa entra agora em um momento decisivo passando a envolver os segmentos que são decisivos para sua implantação como a seleção das certificadoras e a construção de casos concretos de incentivo ao produtor baixo carbono”, define.

Em se tratando de bioinsumos, a atuação dará continuidade às ações de pesquisa ligadas à Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), bactérias promotoras de crescimento vegetal e enraizamento, além de enfatizar as linhas de pesquisa para controle biológico de pragas e doenças. “Vamos buscar otimizar as coleções microbiológicas da unidade, gerar produtos, captar royalties e responder às demandas por economia circular e agricultura regenerativa”, explica Oliveira Júnior.

A atuação da Unidade será fortalecida para complementar o portifólio de novos ativos e bioinsumos, por meio de parcerias e novos arranjos de inovação aberta, que permitem ampliar a contribuição da Unidade em áreas tradicionais como Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), bactérias promotoras de crescimento vegetal e enraizamento, além de enfatizar as linhas de pesquisa para controle biológico de pragas e doenças. “Temos um tesouro na Unidade, formado por cinco grandes coleções microbiolológicas, que têm um potencial enorme de desenvolvimento de novas soluções para a agricultura tropical. Vamos buscar recursos e novos arranjos institucionais para otimizar tesouro, gerar novos conhecimentos produtos, que permitam responder às demandas por economia circular, agricultura regenerativa e também ampliar a de receitas próprias da Unidade”, destaca.

Outro ponto defendido é o aproveitamento do conhecimento e da visão integrada e multidisciplinar da equipe de pesquisa. “Isso permitirá acelerar o desenvolvimento e o entendimento de produtos multifuncionais, reduzindo a dependência de insumos importados, além de manter direcionar melhor o manejo fitossanitário combinando insumos químicos e biológicos”, diz Oliveira Junior.

No eixo de genética e melhoramento, o novo chefe-geral defende a associação das técnicas de melhoramento genético tradicional, às novas ferramentas biotecnológicas (como a edição gênica) para acelerar a obtenção de cultivares com tolerância a doenças, pragas e nematoides. “Além disso, vamos buscar a diferenciação das commodities tradicionais – onde há forte concorrência – via atributos especiais como soja para alimentação humana (como a demanda observada para edamame); melhoria da qualidade do óleo de soja – alto teor oleico -, assim como soja convencional e linhas de pesquisa voltada para proteína animal, entre outros mercados de valor agregado”, pontua.

De acordo com Oliveira Junior, o grande desafio é de abrir novas formas de atuação para o programa de melhoramento genético, conciliando o atendimento à agricultura brasileira de forma estratégica, assim como a abertura de novos segmentos de mercado, que permitam à cadeia produtiva elevar sua estratégia de diferenciação e atendimento a novos mercados, como combustíveis especiais, óleos de alta qualidade para saúde humana, produção de farelo proteicos e novos usos industriais.

Também terão ênfase na nova gestão da Embrapa Soja, as soluções tecnológicas e de agricultura digital. “Nosso foco estará no uso de inteligência artificial (IA) e de ferramentas digitais para organizar o conhecimento gerado na pesquisa e transferi-lo com eficiência para produtores e técnicos”, ressalta. Segundo Oliveira Júnior, a proposta é reunir as recomendações de manejo da cultura para contemplar práticas de mitigação climática (sistema Plantio Direto, rotação de culturas, implantação de terraços), avançar na metodologia do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e tecnologias de aplicação no manejo fitossanitário, como o uso de drones, por exemplo. Um exemplo disso está em uma área muito sensível para todos os produtores e para o pais, como a fertilidade de solo. “Na área de fertilidade do solo, por exemplo, utilizar os resultados dos experimentos de longa duração para calibração nutricional, assim como na consolidação de ferramentas como a plataforma Afere (Plataforma Online de Avaliação da Fertilidade do Solo, Estado Nutricional e Recomendação da Adubação)”, detalha.

Oliveira Junior pretende integrar esforços para embarcar o conhecimento agronômico e científico, gerado ao longo dos anos pelas diferentes equipes técnicas, em soluções tecnológicas e digitais, que permitam aos produtores e técnicos entrarem em uma nova era de tomada de decisão orientada por dados e novas ferramentas digitais. “É preciso transformar essa capacidade científica em mecanismos que permitam decisões mais assertivas, com capacidade de previsão, monitoramento e precisão na tomada de decisão”, pontua.

Com relação às ações de Transferência de Tecnologia, a proposta é dar continuidade às estratégias de interação permanente e capacitação continuada de técnicos e produtores, por meio de treinamentos, realização de cursos online, a Reunião de Pesquisa de Soja, o Congresso Brasileiro de Soja, priorizar os editais de inovação aberta e a atuação no ecossistema regional de inovação (como o Agrovalley).

Nova equipe de gestão

A nova gestão da Embrapa Soja contará com Rogério de Sá Borges na Chefia-Adjunta de Administração, Roberta Carnevalli, na Chefia-Adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento e, Carina Rufino, na Chefia-Adjunta de Transferência de Tecnologia. A solenidade de posse oficial da nova Chefia ocorrerá após o término do período do defeso eleitoral.

Fonte: Embrapa Soja
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