Moagem de cana totaliza 42.93 milhões de toneladas na segunda quinzena de junho

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região centro-sul totalizou 42.93 milhões de toneladas na segunda metade de junho, com queda de 7,73% em relação ao volume processado na mesma quinzena da safra 2019/2020 (46.53 milhões de toneladas), ocasionada por fatores climáticos.

No acumulado desde o início do ciclo 2020/2021 até o final de junho, a moagem ainda apresenta um aumento de 5,20%. Nesse período, a quantidade de cana-de-açúcar processada pelas usinas atingiu a 229.40 milhões de toneladas, contra 218.05 milhões de toneladas mesmo período do último ciclo agrícola.

Em relação ao número de usinas em operação, 258 empresas registraram produção até dia 1º de julho, contra 255 unidades industriais na mesma data do último ano. Na última quinzena, sete unidades iniciaram a safra 2021. A expectativa é que mais cinco empresas comecem a operar nos primeiros quinze dias de julho.

Qualidade da matéria-prima

A qualidade da matéria-prima processada na segunda quinzena de junho, mensurada a partir da concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), aumentou 4,46%, atingindo 140,66 kg por tonelada de cana-de-açúcar em 2020, contra 134,65 kg verificados na mesma quinzena do último ano.

Essa melhora na qualidade compensou parcialmente a redução de moagem na quinzena. Assim, a quantidade total de produtos fabricados nos últimos quinze dias de junho apresentou retratação de apenas 3,61%.

No acumulado desde o início da safra até 1º de julho, o indicador de concentração de açúcares assinala 131,06 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, com aumento de 5,58% em relação ao valor da safra 2019/2020.

Produção de açúcar e de etanol

Na segunda metade do junho, 47,42% da cana-de-açúcar foi destinada à produção de açúcar, contra os 37,06% registrados na mesma data de 2019.

A maior proporção de matéria-prima direcionada à fabricação de açúcar teve reflexos nos números. A produção do adoçante aumentou 23,34% nos últimos quinze dias de junho deste ano e alcançou 2.73 milhões de toneladas, contra 2.21 milhões de toneladas na mesma quinzena do ano anterior.

Nesse contexto, o volume fabricado de etanol atingiu 1.96 bilhão de litros na segunda quinzena de junho, sendo 596.30 milhões de litros de etanol anidro e 1.36 bilhão de litros de etanol hidratado. Desse total, 88.63 milhões de litros foram produzidos a partir do milho.

No acumulado desde o início da safra 2020/2021 até 1 de julho, a produção de açúcar totalizou 13.30 milhões de toneladas, contra 8.94 milhões de toneladas na mesma data do ciclo 2019/2020.

O diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, ressalta que, além das condições de mercado, a melhor qualidade da matéria-prima tem favorecido a produção de açúcar.

“Com cerca de 40% da safra realizada até o momento, se observou um aumento de 4.35 milhões de toneladas na produção de açúcar. Desse montante, 657.000 toneladas de açúcar resultaram do aumento da moagem, e o restante, 3.70 milhões de toneladas, são fruto da alteração do mix de produção, que permitiu o crescimento de na produção de açúcar”.

A produção acumulada de etanol, por sua vez, totalizou 10 bilhões de litros, sendo 2.82 bilhões de litros de etanol anidro e 7.18 bilhões de litros de etanol hidratado. Do total fabricado, 506.93 milhões de litros do biocombustível foram produzidos a partir do milho.

Comercialização

As vendas de açúcar pelas usinas do centro-sul mantiveram o ritmo observado das últimas quinzenas e seguiram aquecidas no mês de junho. O volume exportado pelas unidades do centro-sul somou 2.59 milhões de toneladas, com aumento de 70,13%.

No acumulado desde o início da safra 2020/2021 até 1º de julho, o crescimento foi de 67,22%, com a exportação de 6.44 milhões de toneladas neste ano, contra 3.85 milhões de toneladas no mesmo período de 2019.

As vendas do adoçante para o mercado doméstico, por sua vez, totalizaram 2.22 milhões de toneladas desde o início do ciclo agrícola até 1º de julho, com aumento de 7,13% em relação ao volume registrado no mesmo período do ano passado.

“O crescimento nas vendas de açúcar e a menor demanda por etanol explicam a dinâmica de produção observada até o momento. No mercado interno, o avanço das vendas de açúcar pode estar associado à maior transferência do produto fabricado no centro-sul para outras regiões do País”, afirma Rodrigues.

O volume de etanol comercializado pelas unidades produtoras em junho deste ano somou 2.40 bilhões de litros, com queda de 11,43% no comparativo com o mesmo período de 2019 (2.71 bilhões de litros). Essa queda é menor do que aquela verificada nos dois meses anteriores, que alcançava quase 30%.

Do total comercializado em junho, 267.05 milhões de litros foram destinados para o mercado externo e 2.13 bilhões de litros foram vendidos domesticamente.

Esse volume de etanol direcionado ao mercado externo surpreendeu em junho, com um aumento de 44,31% na comparação com os 185.05 milhões de litros exportados no mesmo mês de 2019.

Mercado interno

No mercado interno, as vendas de etanol hidratado alcançaram 1.47 bilhão de litros em junho, com queda de 19,64% sobre o volume no mesmo período da última safra (1.83 bilhão de litros). A quantidade comercializada de etanol anidro, por sua vez, registrou queda de 4,70%, com 663.86 milhões de litros vendidos em 2020 contra 696.57 milhões de litros em 2019.

As vendas de etanol para outros fins no mercado interno se mantêm aquecidas, com crescimento de 40% em junho, totalizando 118.25 milhões de litros comercializados.

“A retração nas vendas de etanol no mercado interno foi menor nesse último mês. Os números refletem a queda menos intensa na demanda por combustíveis leves no País. No caso do etanol anidro, há uma maior transferência do produto para outras regiões”, diz o diretor da Unica. O crescimento da transferência resulta da menor importação de etanol nesse período.

Apesar da melhora nas vendas, no acumulado desde o início da safra 2020/2021 até 1º de julho, o volume de etanol comercializado pelas empresas do centro-sul acumula retração de 22,71%, somando 6.37 bilhões de litros. Desse total, 493.33 milhões de litros foram destinados para a exportação (aumento de 32,47%) e 5.88 bilhões para o mercado interno (queda de 25,26%).

 

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