Manifestação do Conselho Nacional do Café (CNC)

 

Manifestação do Conselho Nacional do Café (CNC) sobre ausência do setor cafeeiro em agendas e comunicações oficiais sobre a taxação imposta pelo governo americano

Foto: Pixabay

O Conselho Nacional do Café (CNC), entidade representativa da cafeicultura brasileira, vem respeitosamente manifestar sua preocupação diante da ausência do setor cafeeiro na pauta da reunião convocada para 15/07, às 14 horas, bem como na recente coletiva concedida pelo Vice-Presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

O Brasil mantém sua posição como o maior produtor e exportador de café do mundo, com 17 estados produtores, presente em 1.983 municípios, 6 biomas diferentes e é um dos grandes pilares sociais e econômicos do país. Com um total de 330 mil cafeicultores, dos quais 254 mil são pequenos produtores, a cadeia produtiva do café gera aproximadamente 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos, abrangendo desde a produção nas lavouras até a industrialização e exportação do produto. Além de seu impacto econômico, a cafeicultura desempenha um papel fundamental no desenvolvimento regional, promovendo inclusão social, geração de renda e fortalecimento dos pequenos e médios produtores. Onde a cafeicultura está instalada, o índice de desenvolvimento humano (IDH) é patentemente maior.

Café/Ação Social

Não é por demais lembrar que além do aspecto ambiental, a produção de café no Brasil também tem um forte compromisso com a sustentabilidade social, já que os direitos trabalhistas no país garantem proteção e segurança aos trabalhadores e trabalhadoras. Eles abrangem questões como salário mínimo, jornada de trabalho, férias remuneradas, décimo terceiro salário, descanso semanal, licenças maternidade e paternidade, seguro-desemprego, entre outros. Cabe ressaltar que a proteção à saúde do trabalhador também é promovida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o país o único no mundo a disponibilizar esse serviço de forma pública e gratuita.

Portanto, além do produtor, toda uma cadeia será afetada por essa taxação: as cooperativas, as indústrias, os fornecedores de insumos, os prestadores de serviço, os exportadores. Estamos falando de um setor que movimenta bilhões e que é responsável por parcela significativa da balança comercial do país.

Em 2025, com base nas projeções do Ministério da Agricultura, a cafeicultura ocupará a quarta colocação no ranking geral, alcançando R$ 124.2 bilhões, o que representa 8,82% do VBP total do país.

Além de seu papel econômico, o café tem forte impacto ambiental positivo, sendo cultivado em áreas com cobertura vegetal nativa preservada e com crescente adoção de práticas sustentáveis e regenerativas. É também uma cultura essencial para o equilíbrio social em diversas regiões, especialmente nas mais vulneráveis.

Por essas razões, a ausência de menções à cafeicultura em espaços de diálogo e formulação de políticas públicas nos preocupa, por transmitir ao setor um sentimento de distanciamento em relação às decisões estratégicas do Governo Federal.

Apesar disso, o CNC reitera seu compromisso com o diálogo e a construção conjunta de soluções para o fortalecimento da agricultura nacional. Permanecemos à disposição do Ministério da Agricultura e Pecuária para contribuir de forma técnica e propositiva, com responsabilidade e espírito de cooperação.

Silas Brasileiro – Presidente do Conselho Nacional do Café – (CNC) e membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA

 

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