Um gigantesco mercado chamado Índia

A troca de material genético, como o da raça Gir, é outro assunto em destaque na pauta de negociação entre China e Brasil

A Índia está na rota do desbravamento de novos mercados que vem sendo capitaneada pelo Mapa. Pela primeira vez, o país asiático terá um adido comercial brasileiro, que enfrentará o desafio de intensificar ainda mais o comércio bilateral, que já vem ganhando fôlego nos últimos meses.

“Fizemos um rigoroso processo de seleção para identificar o melhor candidato. A expectativa é de que ele já inicie seus trabalhos em Nova Deli ainda este ano”, conta o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Luiz Ribeiro e Silva.

Nos últimos dois meses, os produtores brasileiros comemoraram duas importantes conquistas obtidas junto ao país asiático: a revisão de barreiras fitossanitárias para a exportação de maçãs e o embarque do primeiro grande carregamento de grão-de-bico.

“Outro produto que é muito consumido na Índia e que também está sendo estudado pela Embrapa para um melhor desenvolvimento no Brasil é a lentilha. Grão-de-bico e lentilha são leguminosas muito consumidas por lá e que têm apresentado excelente resposta de produção no Brasil”, acrescenta o secretário.

O mercado indiano traz consigo números atraentes: o país tem população de mais de 1 bilhão de pessoas, inseridas num contexto de aumento de consumo. Exportar para a Índia significa a possibilidade de embarques de grande vulto. As negociações que estão sendo fechadas este ano são, na avaliação de Odilson Silva, reflexo da reunião dos BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), realizada na Índia no ano passado.

Outra aposta do governo brasileiro está na exportação de carne de frango. Hoje, existe taxação de 30% para a entrada do frango inteiro e de 100% para o frango em pedaços. De acordo com Odilson Silva, já existem conversas em andamento para a revisão destas tarifas.

Outro ponto de destaque na pauta de negociação entre os dois países é a troca de material genético, principalmente de zebuínos. O secretário conta que algumas das raças existentes no Brasil vieram da Índia. “Esse é o caso da Gir, muito utilizada na pecuária leiteira, que sofreu melhoramentos genéticos no Brasil, o que interessa muito aos indianos”, diz ele.

O governo brasileiro não definiu metas para a expansão dos negócios com a Índia. O secretário afirma que o país asiático está entre os mercados prioritários da ambiciosa agenda do Mapa, que pretende elevar, de 2019 a 2022, a participação do Brasil no comércio global do agronegócio a 10%. Hoje o país responde por 6,9%.

“Qualquer negociação é uma política de mão dupla. A Índia também tem muito a nos oferecer. Existe uma enormidade de temperos e de frutas, por exemplo, que ainda não conhecemos por aqui”, ressalta o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio.

Equipe SNA/Rio