Rally da Safra 2014 prevê menor produção de grãos e alerta sobre o abandono das boas práticas

Andre Pessoa coordenador do Rally da Safra_credito Marcos Campos MCPress
Andre Pessôa, coordenador do Rally da Safra, diz que agroquímicos tradicionais têm mostrado baixa eficiência contra doenças. Foto: Marcos Campos/MCPress.

 

Em decorrência de problemas climáticos severos – chuvas em Mato Grosso e estiagem prolongada na maioria das regiões produtoras – e de ataque de pragas, o Brasil deverá colher 188,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2013/2014, ante 189,5 milhões na temporada anterior. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo, na terça-feira , 1 de abril, para apresentação dos resultados do Rally da Safra 2014, expedição técnica de avaliação das lavouras de soja e milho, organizada pela Agroconsult.

A expectativa inicial, de colheita de 91,6 milhões de toneladas de soja, não será concretizada e deverá ficar em 86,9 milhões de toneladas, inferior às 89 milhões de toneladas previstas no relatório da consultoria, divulgado em março. No entanto, a safra 2013/2014 será maior do que a temporada anterior, que foi de 82,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 5,7%.

No caso do milho, a expectativa de consultoria é de colheita de 71,2 milhões de toneladas, sendo 30 milhões de toneladas e 41,2 milhões de toneladas na safrinha, bem abaixo das 81,5 milhões de toneladas da safra anterior.

Entrave

Junto com o clima, outro entrave para o crescimento da produção de grãos no Brasil foi a alta incidência de pragas e doenças em grande parte das regiões produtoras de grãos.

“Registramos infestação intensa de mosca-branca, ferrugem e lagarta falsa-medideira nas lavouras”, disse o sócio-diretor da Agroconsult,  André Pessôa.

“Além da alta infestação da ferrugem na maior parte das regiões, comprovamos a baixa eficiência de agroquímicos tradicionais no mercado”, acrescentou.

De acordo com Pessôa, muitos produtores relataram baixa eficiência dos fungicidas tradicionais, provocada pelo aumento da resistência ao fungo, o que elevou o custo de produção, além de exigir aplicações extras.

“Em média, houve a necessidade de meia aplicação de fungicida a mais, de 2,5 (safra 2011/2012) para 3 aplicações nesta safra. No caso dos inseticidas, o aumento médio foi de 4 para 6 aplicações, na mesma análise”, informou Pessôa.

Os organizadores do Rally da Safra afirmaram que a situação é preocupante e que há a necessidade de se resgatar boas práticas agronômicas, e constataram que em 30 milhões de hectares de soja estas práticas têm que voltar a ser aplicadas. Para Everson Zin, gerente de Marketing de Bayer CropScience, presente à coletiva, é necessário retomar a sustentabilidade agronômica.

“As empresas precisam fiscalizar mais como seus produtos estão sendo empregados e utilizados”, recomendou.

Zin lembrou das palavras finais de Pessôa, segundo o qual o produtor teve ótima renda, mas se esqueceu de buscar coisas essenciais.

“O produtor precisa seguir as recomendações da pesquisa sobre boas práticas agronômicas, como vazio sanitário, rotação de culturas, observar as séries históricas, plantar no momento e na hora certa”, enfatizou.

Segundo o gerente de marketing da Bayer, há três anos as boas práticas foram esquecidas pela maioria dos produtores e que a opção pela rentabilidade e o lucro geraram a ausência destas práticas e, consequentemente, levaram ao aumento de invasoras e propagação de pragas e doenças.

O Rally percorreu 65 mil quilômetros nos principais polos produtores de milho e soja do País – responsáveis por 97% da produção de soja e 73% da produção de milho –, nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia (Oeste), Piauí e Maranhão.

 

Outras projeções para a safra 13/14

As novas estimativas da FCStone indicam que a safra brasileira será um pouco maior e deve alcançar 87.6 milhões de toneladas, número semelhante aos divulgados pela consultoria no mês passado. No entanto, segundo a consultoria, a previsão poderá ser alterada, devido à área plantada da safra de inverno. No Paraná, o avanço da colheita confirmou a perda de aproximadamente 10% do esperado inicialmente, devido ao clima seco do início deste ano. Em Mato Grosso, com a colheita praticamente finalizada, a situação se normalizou após um período de preocupação com o excesso de chuvas e a produtividade tem superado as expectativas, com até chega a 60 sacas por hectare.

Para o milho, a FCStone prevê a produção de 71.24 milhões de toneladas na temporada 2013/2114. De acordo com a consultoria, na primeira safra, a área plantada recuou para 6.23 milhões de hectares e a produção deve ficar em 30.84 milhões de toneladas, caso a produtividade de mantenha em 4.95 toneladas por hectare. Para a safrinha, a produtividade média para o Brasil aumentou um pouco e alcançou 4.8 toneladas por hectare, ante 4.78 toneladas por hectare da estimativa anterior. No entanto, mesmo com essa elevação da produtividade da safra de inverno, a produção média do Brasil recuou, por causa da retração da área plantada.

Já o sexto levantamento da Conab, divulgado em 12 de março, projetou a produção da safra 2013/2014 em 188,69 milhões de toneladas, aumento de 0,7% em relação às 187,44 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. Esse resultado representa um incremento de 1,25 milhão de toneladas, devido, principalmente ao crescimento de 4,8% (3,9 milhões de toneladas) na produção de soja, que deve alcançar 85.442,5 mil toneladas.

Segundo os números divulgados em março pela Conab, a área semeada com o milho da primeira safra nacional deverá atingir 6.435,4 mil hectares, queda de 5,1%, em relação ao exercício anterior. Para o milho segunda safra, a expectativa é de queda de 6,8%, de 46.928,9 milhões de toneladas, no ciclo anterior, para 43.759,4 milhões de toneladas, na temporada 2013/2014.

 

Por Equipe SNA/SP

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