Ponto de colheita da tangerina Ponkan determina qualidade da fruta

Publicado em 7/06/2017

Período de maturação da tangerina, para as condições do Espírito Santo, ocorre de meados de abril, nas regiões mais quentes, até setembro, nas regiões mais frias, concentrando-se nos meses de maio e junho. Foto: Divulgação Incaper

Com a diminuição das temperaturas, frutas cítricas como a tangerina Ponkan têm ganhado as prateleiras dos supermercados e barracas das feiras livres. Porém, para garantir a qualidade dessa fruta, é necessário, entre outros quesitos, colhê-la no ponto certo.

Segundo o pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Sebastião Gomes, o período de maturação da fruta, para as condições do Espírito Santo, ocorre de meados de abril, nas regiões mais quentes, até setembro, nas regiões mais frias, concentrando-se nos meses de maio e junho.

“Por ser uma fruta não climatérica, a tangerina Ponkan necessita ser colhida em estágio adequado de maturação, que ocorre quando o conteúdo de açúcares e ácidos, bem como o volume de suco, apresentam composição desejável. Seu ponto de colheita ideal é definido quando o fruto apresentar teores de sólidos solúveis de 9º Brix, ratio (relação sólidos solúveis e acidez titulável) igual a 9,5 e mínimo de 35% de suco”, explicou Sebastião.

Segundo ele, no amadurecimento das tangerinas, ocorrem modificações externas e internas. A alteração da cor, o aumento nos teores de açúcares e a diminuição dos ácidos são o prenúncio dos estágios finais do desenvolvimento dos frutos.

“Externamente, os citros alteram a coloração da casca, de completamente verde quando imaturos, para amarela ou laranja quando maduros. O que seria o aspecto a ser observado para o início da colheita é quando o fruto começa a mudar de cor, passando do verde para a cor amarela/alaranjada”, contou o pesquisador.

De acordo com Sebastião, se os frutos forem colhidos totalmente maduros ocorre redução em sua vida útil e dificuldade no manuseio e transporte, ocasionando perdas qualitativas e quantitativas.

“A perda qualitativa, em especial, interfere na escolha do consumidor, pois estão relacionadas a atributos externos, como aparência e defeitos, e a internos, como o sabor. No caso das tangerinas Ponkan, pelo fato de terem que ser colhidas maduras, obter qualidade no ponto de colheita é importante para a comercialização”, relatou o pesquisador.

A qualidade do fruto deve ser avaliada desde a colheita até seu destino final. Para isso, podem ser adotados parâmetros físicos como peso, índice de formato, aparência e cor; ou químicos, como sólidos solúveis, pH, acidez e índice de maturação, características que são influenciadas por condições edafoclimáticas, cultivar, colheita, manuseio na colheita e pós-colheita, armazenamento, transporte e comercialização, entre outros fatores.

 

ESPÍRITO SANTO E BRASIL

O pesquisador Sebastião Gomes informou que o Brasil é o maior produtor mundial de frutas cítricas, sendo a laranja, a tangerina e a lima ácida (Tahiti) as mais produzidas e, entre elas, as tangerinas são o segundo grupo de maior expressão, ficando atrás somente da laranja.

No Espírito Santo, a produção de tangerina teve aumento significativo nos últimos anos. A área colhida, em 2016, foi de 1.299 hectares e a estimativa para este ano é de 1.312 ha. No ano passado, a produção foi de 25.701 toneladas e este ano a previsão é de 26.238 toneladas. Por fim, o rendimento médio de quilos por hectares foi de 19.785 quilos por hectare em 2016 e deve ser de 19.998 kg/ha neste ano.

“O levantamento de valor pago ao produtor mostra que, no Espírito Santo, o preço médio mensal nominal da tangerina variou de R$ 0,42 a R$ 0,78 por quilo em 2015. Os maiores produtores em 2014 foram os municípios de Domingos Martins e Santa Leopoldina. Domingos Martins, inclusive, foi o 16º maior produtor do Brasil em 2015”, informou Sebastião.

 

AGRICULTURA FAMILIAR

No Estado, o cultivo da tangerina é feito com mão-de-obra quase que exclusivamente familiar. “É realizado em diferentes condições de macro e microclimas devido às altitudes da região que variarem de 200 a 1,2 mil metros, o que propicia o alongamento do ciclo natural de colheita regional e o fornecimento de fruta fresca para os mercados locais, regionais e de outros estados por um período de cerca de sete meses do ano, de abril a outubro”, explicou Sebastião.

Ele também disse que, nas zonas de maior altitude, entre 800 e 1,1 mil metros acima do nível do mar, a condição climática favorece a produção de frutas de altíssima qualidade e propicia um atraso natural na maturação dos frutos. Além disso, são encontrados pomares entre as altitudes de 200 a 700 metros, propiciando os mais variados rendimentos e preços.

“Esse período de colheita tem propiciado aos agricultores, produtores de tangerina Ponkan, uma remuneração digna condizente com seus investimentos e trabalho”, concluiu o pesquisador.

 

Fonte: Incaper

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