Parceria entre CNA e Associação Brasileira de Angus traz avanços à rotulagem de carne

Solenidade de assinatura do protocolo de parceria entre CNA e Angus, em Brasília, contou com as presenças do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Décio Coutinho, do presidente da Confederação Nacional de Agricultura, João Martins (ao centro da mesa), entre várias autoridades e pecuaristas. Foto: Wenderson Araújo
Solenidade de assinatura do protocolo de parceria entre CNA e Angus, em Brasília, contou com as presenças do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Décio Coutinho, do presidente da Confederação Nacional de Agricultura, João Martins (ao centro da mesa), entre várias autoridades e pecuaristas. Foto: Wenderson Araújo

Uma parceria fechada entre a Associação Brasileira de Angus (ABA) e a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) inicia uma nova era na certificação e rotulagem de carnes e derivados no País. O acordo tem como objetivo garantir mais segurança e transparência ao consumidor e permitir a ampliação e conquista de novos mercados. O protocolo foi assinado pelo presidente da CNA, João Martins, e pelo presidente da Angus, José Roberto Pires Weber, na presença do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Décio Coutinho, em Brasília.

As carnes brasileiras só podem estampar em seus rótulos a procedência genética do animal (raça) quando submetidas a rígidos procedimentos de controle, conduzidos sob gestão da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária e fiscalizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com a assinatura do protocolo de adesão voluntária, o “Protocolo Angus”, a Associação, utilizando-se de toda expertise de seu programa “Carne Angus Certificada”, torna-se a primeira raça a aderir ao sistema.

De acordo com a CNA, a falta de legislação específica para rotulagem de cortes de carne, com menção de raça dos animais e de informações compartimentadas sobre o setor, impedia o Brasil de exportar carnes com essas características, por exemplo, para a União Europeia. Com esta deficiência, não era possível atender às exigências impostas pelo DG AGRI/UE (órgão da União Europeia responsável pela política rural comum).

No mercado interno, a mudança põe fim à falta de transparência e à concorrência desleal imposta aos frigoríficos que participam de programas de certificação, já que muitos cortes, sem a devida comprovação de procedência, acabavam prejudicando a imagem das raças bovinas.

O termo de cooperação é resultado de anos de negociação e permite uma forte modernização na gestão e identificação da carne Premium de origem da raça Angus comercializada no Brasil. Hoje, o País tem 3 milhões de bezerros da raça Angus.

Segundo José Roberto Pires Weber, a medida representa a primeira inclusão de informações externas na base da Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA), banco de dados nacional onde ficarão reunidos todos os dados do agronegócio brasileiro. Para isso, serão criadas novas regras para organizar as informações sobre o rebanho, o que habilitará a Associação Brasileira de Angus a rotular seus produtos.

“Medidas como esta ajudam a organizar um mercado o qual, hoje, todo mundo pode colocar informações no rótulo da carne dizendo que é de determinada raça, sem uma efetiva fiscalização”, afirma o presidente da Angus.

TRANSPARÊNCIA E SEGURANÇA

O Protocolo de Angus traz ao mercado transparência e segurança na identificação de rótulos com menção da origem genética dos animais. Os dados de cada produtor estarão interligados e abastecerão a PGA.

“Por meio de critérios claros e transparentes, o protocolo passa a regrar o setor e fornecer de forma contínua e on line informações referentes aos animais e carnes certificados ao Serviço de Inspeção Federal”, afirma Weber.

“Este protocolo é o primeiro no País e dá início a uma nova era de transparência, informação e segurança aos consumidores de cortes de alta qualidade”, reforça o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Décio Coutinho.

De acordo com João Martins, a parceria entre CNA e ABA permite a ampliação e captação de mercados.

“É uma nova fase de exportação para a carne de qualidade. Entramos em um mercado competitivo e com nova roupagem. Antes, a falta de legislação específica e de informações compartimentadas sobre o setor impediam o Brasil de exportar carnes com essas características, por exemplo, para a União Europeia e os Estados Unidos”, lembra o presidente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária.

A adoção de um regramento mais rígido para a rotulagem de procedência genética da carne deve resultar em novos clientes para carne brasileira. A expectativa é que, com a padronização das informações, os criadores de Angus consigam abrir importantes mercados já no curto prazo.

A Associação Brasileira de Angus já trabalha com essa nova realidade. Em 2015, a entidade trocou de certificadora internacional, contratando os serviços da alemã Tüv Rheinland. A estratégia visa conquistar maior credibilidade entre os países da União Europeia.

BRAZILIAN ANGUS BEEF

A Angus implantou, em 2014, o programa “Brazilian Angus Beef” em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec0.

Para fomentar novos clientes, a Angus esteve em feiras internacionais, como o Sial, na França. Para 2015, a agenda da equipe do Programa Carne Angus Certificada já inclui participação na Anuga (Alemanha) e na Expo Milão (Itália), além de exposições programadas para Moscou (Rússia) e Dubai (Emirados Árabes).

A conquista de mercados internacionais para os cortes Angus brasileiros também deve trazer importante reflexo ao mercado doméstico. Segundo o gerente do Programa Carne Angus, Fábio Medeiros, escoando a produção para novos clientes externos, a tendência é crescimento da valorização dos novilhos agregando ainda mais renda ao produtor rural.

MERCADO

Com relação ao mercado, segundo Reynaldo Titoff Salvador, diretor do Programa Carne Angus, “este tipo de informação, crescentemente reconhecida e valorizada pelos consumidores, era desprovida de legislação específica no país. Este fato levou a uma descontrolada proliferação de marcas indicando a origem genética dos animais, colocando em risco não apenas a credibilidade perante o mercado das características qualitativas, mas também os interesses do consumidor”.

Atualmente, os produtos que contêm o selo de certificação da Associação Brasileira de Angus já garantem aos consumidores a identidade (Carne Exclusivamente de animais Angus e cruza Angus) através de processo de certificação conduzido por técnicos da entidade, nas unidades frigorificas credenciada. Participam deste processo as empresas JBS, JBSFoods, Marfrig, Frigorífico Silva, Cotripal, VPJ Alimentos, MCDonalds, Cia Zaffari, Frigorífico Verdi, Frigorífico São João, Frigol S/A e Cooperaliança.

CADASTRAMENTO

O cadastramento de produtos rurais na base da nova Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA) deve começar no próximo dia 1º de junho. A meta é cadastrar a maior parte possível dos 5 mil produtores inscritos hoje no Programa Carne Angus.

Para participar do Protocolo Angus, o pecuarista deve acessar o site da CNA (www.canaldoprodutor.com.br) ou o site da Angus (www.angus.org.br), clicar no link específico e realizar seu cadastramento. Neste formulário, integrado ao sistema de defesa agropecuária, serão cadastradas informações simples como a localização da propriedade (coordenadas GPS), informações de contato e dados sobre o sistema de exploração do pecuarista.

O produtor rural que desejar participar do protocolo ficará isento do pagamento de qualquer taxa, característica do Programa Carne Angus Certificada.

Por equipe SNA/SP

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