Nova embalagem preserva qualidade dos cafés especiais

“O armazenamento inadequado do café causa degradação de compostos químicos e gera substâncias que conferem características indesejáveis ao paladar, afetando alguns atributos sensoriais da bebida, como a acidez, sabor, doçura e corpo, além de afetar a cor”, afirma o professor do Departamento de Engenharia da UFLA, Flávio Meira Borém. Foto: Divulgação Ufla
“O armazenamento inadequado do café causa degradação de compostos químicos e gera substâncias que conferem características indesejáveis ao paladar, afetando alguns atributos sensoriais da bebida, como a acidez, sabor, doçura e corpo, além de afetar a cor”, afirma o professor do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Flávio Meira Borém. Foto: Divulgação Ufla

Buscando encontrar formas para que os atributos sensoriais e de composição física e química dos cafés especiais sejam preservados por longo período, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla para Brazil Specialty Coffee Association) firmou parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla). A pesquisa está em andamento e promete trazer resultados inovadores para o mercado, com uma embalagem que conserva a qualidade do produto, o que tem sido um desafio para entidades, pesquisadores e produtores.

De acordo com o professor do Departamento de Engenharia da Ufla (DEG), Flávio Meira Borém, coordenador da pesquisa, as embalagens mais utilizadas atualmente ainda não atendem às necessidades: “Ou elas não são eficazes, ou apresentam alto custo”, explica.

O material mais utilizado para a embalagem dos cafés especiais são os sacos de juta que, segundo o pesquisador, comprometem a qualidade do café em curto período, devido à variação do teor de água nos grãos e à sua interação com o ar ambiente.

“O armazenamento inadequado causa degradação de compostos químicos e gera substâncias que conferem características indesejáveis ao paladar, afetando alguns atributos sensoriais da bebida, como acidez, sabor, doçura e corpo, além de alterar a cor”, comenta o pesquisador.

Segundo a diretora-executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira, o estudo contempla diversos tipos de embalagem envolvendo papel e polipropileno com e sem alta barreira.

“A opção mais interessante é um ‘hibrido’ que tem papel por fora e ‘plástico1 por dentro. Esta combinação tem se mostrado muito interessante na manutenção das características dos cafés”, avalia.

 

Diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira comenta: “Acreditamos que estamos chegando a algumas alternativas bem interessantes, que podem vir a revolucionar o mercado de embalagens e armazenamento de cafés crus”. Foto: Divulgação Ascom/Ufla
Diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira comenta: “Acreditamos que estamos chegando a algumas alternativas bem interessantes, que podem vir a revolucionar o mercado de embalagens e armazenamento de cafés crus”. Foto: Divulgação Ascom/Ufla

MAIS VIÁVEIS

Vanusia afirma que a busca é por embalagens que preservem os atributos e, consequentemente, a qualidade dos cafés crus por mais tempo, e que sejam economicamente viáveis para os cafeicultores e para os compradores.

“Acreditamos que estamos chegando a algumas alternativas bem interessantes, que podem vir a revolucionar o mercado de embalagens e armazenamento de cafés crus. Estamos dependendo apenas da coleta e da divulgação dos últimos resultados pela equipe da UFLA”, conta.

A nova embalagem é fabricada com papel extensível de alta resistência, com capacidade para 30 quilos; é hermética, possui filme de alta barreira e proteção contra luminosidade, além de contar com um sistema denominado Easy Open, que facilita a abertura e armazenagem pelo cliente final.

“Essas inovações garantem segurança e qualidade ao produto, preservando as características originais do café”, afirma Borém.
O MERCADO

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) estima que foram produzidas, em 2015, cerca de 5 milhões de sacas de cafés especiais, das quais 4 milhões foram destinadas à exportação. Os principais destinos foram os EUA, Europa e Japão, enquanto cerca de 1 milhão de sacas foram absorvidas pelo mercado interno.

O consumo de cafés especiais registra os maiores índices de crescimento nos mercados brasileiro e mundial, avançando entre 10% e 15% ao ano, respectivamente. Por outro lado, a evolução do consumo dos cafés tradicionais gira em torno de 3% no Brasil e de 1,5% a 2% em todo o mundo.

De acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Café (Abic), considerando a demanda interna de aproximadamente 20 milhões de sacas do produto, o consumo de cafés especiais no Brasil corresponde a 5% do total. Boa parte desse consumo ocorre em cafeterias e em estabelecimentos especializados.

Outro dado interessante relacionado aos cafés especiais é o preço de venda, que supera 30% a 40% o valor dos cafés tradicionais, podendo chegar a 100% em algumas ocasiões. Nos leilões do Concurso de Qualidade Cafés do Brasil – Cup of Excellence, por exemplo, compradores já pagaram até 3.000% a mais do que o preço do tradicional pelo café campeão.

 

EXPORTAÇÕES

Em 2015, as exportações de cafés diferenciados (especiais, gourmet, certificados, orgânicos, etc.) totalizaram US$ 1,840 bilhões, respondendo por 32,7% da receita total de US$ 5,626 bilhões. No acumulado do ano, os embarques brasileiros de cafés diferenciados totalizaram 8.311.573 sacas de 60 kg, o equivalente a 24,8% das exportações totais de café do País.

 

Por equipe SNA/SP

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