Manejo fisiológico do milho safrinha pode garantir melhor produtividade

Sistema radicular bem formado é fundamental no processo de manejo fisiológico do milho safrinha, por facilitar a fixação da planta no solo, a absorção de água e nutrientes presentes nele e a produção de hormônios essenciais para o desenvolvimento das raízes e, consequentemente, da planta como um todo. Foto: Divulgação

O milho, ao lado da soja, é uma das commodities agrícolas mais importantes para a balança comercial brasileira. E não é só isso: o grão também é adicionado na ração dos animais e ainda abastece o mercado interno para o consumo humano. De acordo com o levantamento da Safras & Mercado, feito no início de março, o Brasil já atingiu 78% da área estimada de 11,025 milhões de hectares previstos para o plantio do milho segunda safra, mais conhecido como safrinha.

Por volta dos anos 80, ela era sinônimo de baixa tecnologia e de riscos para o produtor rural, mas hoje o cenário é outro, principalmente porque existem várias opções de sementes híbridas. O problema é que nem todos puderam acompanhar esse avanço, o que leva os agricultores, muitas vezes, a cometerem erros na hora do manejo.

No caso do milho safrinha, geralmente cultivado entre os meses de janeiro e abril, um dos tratamentos indicados para incrementar a produtividade é o manejo fisiológico, conforme orienta o engenheiro agrônomo Fransérgio Soares Batista, gerente técnico de Grãos da Alltech Crop Science.

Ele relata que um sistema radicular bem formado é fundamental neste processo, por facilitar a fixação da planta no solo, a absorção de água e nutrientes presentes nele e a produção de hormônios essenciais para o desenvolvimento das raízes e, consequentemente, da planta como um todo.

 

ENRAIZAMENTO

Segundo o especialista, “um bom enraizamento pode contribuir para um aumento da produtividade entre 6% e 12% na safrinha”. Daí a importância do manejo fisiológico, que ganha o auxílio de soluções biotecnológicas.

“Muitas vezes, não está mais chovendo no final do ciclo de cultivo do milho. Nesse cenário, uma raiz mais profunda favorecerá a absorção de água e nutrientes do solo. Com isso, a planta vai sentir menos os efeitos da falta de chuva, minimizando possíveis perdas”, comenta.

 

“Um bom enraizamento (da planta de milho) pode contribuir para um aumento da produtividade entre 6% e 12% na safrinha”, diz o engenheiro agrônomo Fransérgio Soares Batista, gerente técnico de Grãos da Alltech Crop Science no Brasil. Foto: Divulgação

Durante a fase em que o potencial produtivo é estabelecido e a espiga começa a criar forma, momento que ocorre com o aparecimento de quatro a seis folhas, é necessário promover a divisão e a diferenciação celular.

“Na etapa de pré-pendoamento, por sua vez, quando é definido o tamanho da espiga do milho, o manejo fisiológico contribui com o crescimento, ajudando a planta a atingir seu potencial produtivo”, salienta Batista.

Outro fator a ser observado é o diâmetro do colmo: “Além das folhas, o colmo é a parte onde a planta mais acumula reserva e essa quantidade pode colaborar entre 30% e 40% no enchimento do grão. No final, isso propicia um número maior de grãos cheios, ou seja, quanto maior for o peso do grão, consequentemente, maior será a produtividade”.

Os bons resultados na colheita, entretanto, começam nas fases iniciais do plantio, alerta Batista. Confira seis práticas que podem auxiliar o produtor a alcançar um bom nível de enraizamento no milho safrinha:

1 – Gradiente de água no solo: segundo o especialista, é importante ter disponibilidade de água no gradiente do solo, ou seja, no perfil do solo, alcançando além da superfície, para que seja possível atingir a raiz como um todo, favorecendo seu desenvolvimento.

2 – Disponibilidade de nutrientes: a adubação em profundidade também é destacada pelo especialista para evitar que as raízes fiquem apenas superficialmente. Ele destaca que quanto maior os teores nutricionais nas camadas subsuperficiais, maior será o enraizamento no perfil do solo.

3 – Ausência de compactação do solo: de acordo com o engenheiro agrônomo, a compactação prejudica bastante o enraizamento, dificultando a penetração de água e manejo do solo.

4 – Manejo de pragas e doenças: a presença de pragas e doenças, como as nematoides, por exemplo, podem causar prejuízos ao enraizamento do milharal. Por isso, é importante que o produtor esteja mais atento a esse cenário.

5 – Aumento da matéria orgânica: promover um manejo que favoreça o aumento da matéria orgânica do solo é essencial, indica Batista. De acordo com o especialista, é comprovado que, em solos onde há maior teor de matéria orgânica, há volume radicular muito mais satisfatório.

6 – Tratamento de sementes: o produtor deve tratar a semente do milho com aminoácidos e precursores hormonais, compostos que vão ativar a planta diretamente a formar um maior volume radicular.

 

Por equipe SNA/RJ com informações da Alltech Crop Science

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp