Governo vai autorizar venda de terras para estrangeiros

Publicado em 17/02/2017

Em entrevista ao canal GloboNews, na quarta-feira (15), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo pretende liberar nos próximos 30 dias a venda de terras brasileiras para os estrangeiros. “O Brasil precisa de crescimento e de investimento. O agronegócio foi a área que mais cresceu em janeiro. Temos de investir, gerar mais empregos”, disse.

Atualmente, a comercialização de terras no país acontece no chamado “mercado de vizinhança”, que é quando ocorre entre vizinhos e pequenas áreas, em estados consolidados.

Além da questão do mercado de terras, Meirelles falou que a população não precisa se preocupar com o ajuste fiscal, porque o mesmo vai tirar o Brasil da crise. “Em consequência das medidas de ajuste fiscal, de política monetária, já estamos vendo a inflação caindo, o que aumenta o poder de compra da população. Com isso, o medo do desemprego vai diminuindo. A taxa de desemprego vai começar a cair já no segundo semestre de 2017. Será perceptível pela população. Em resumo: haverá segurança no emprego, crescimento, aumento da renda e inflação baixa”, declarou.

Acompanhe aqui a entrevista completa.

 

Blairo Maggi quer restrições para soja e milho

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é favorável à autorização para que estrangeiros possam comprar terras no Brasil. No entanto, ele defende a adoção de restrições no caso das chamadas “culturas anuais”, como soja e milho – dois dos principais produtos de exportação do Brasil. O receio é que fundos estrangeiros possam adquirir parcela substancial da área destinada a essas culturas e, em determinado ano, em função dos preços mais baixos no mercado internacional, decidam não plantar.

“Isso seria um caos para a economia, para os municípios, para os transportes, para todo mundo”, afirmou o ministro. “Acho que esse é um ponto que a gente precisa analisar. Agora, terras para culturas perenes, como café, laranja, cana e eucalipto, você não muda de um ano para outro. Se está ruim ou se está bom, você tem de trabalhar. É na média que vai o negócio”, disse.

O ministro cita o exemplo da celulose. “O Brasil é muito forte nisso, mas as indústrias que fazem celulose, que precisam de capital estrangeiro, não gostam de ficar nas mãos de fornecedores. Elas têm de ter um percentual próprio de produção para atender o empreendimento”.

Blairo acredita que as restrições em culturas específicas podem ser a solução para se chegar a um acordo visando à aprovação da compra de terras por estrangeiros. “Não é proibir. Pode-se exigir uma produção anual ou que o produtor não pare de um ano para outro. Ou que ele tenha terras, mas arrende para brasileiros”, disse. “Me parece que quem é o dono da terra é o que menos importa. A terra é brasileira, está aqui, não vai embora, ninguém vai levar. O uso da terra é que importa nesse negócio.”

 

Fonte: Globo Rural

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