Folha de S. Paulo: Caros, orgânicos enfrentam problema de escala

17/09/2017|

Pesquisas para o desenvolvimento de boas práticas de manejo, difusão de informação para produtores e políticas públicas de incentivo devem incrementar a escala da produção orgânica e baratear o custo para o consumidor. Essa foi a conclusão dos participantes da mesa sobre agricultura orgânica no segundo dia do fórum Agronegócio Sustentável.

“Nossa experiência mostra que é possível desenvolver a produção em uma escala capaz de gerar boa renda para o produtor”, disse Emerson Giacomelli, coordenador do grupo Gestor do Arroz Agroecológico, pertencente ao MST.
Para atingir essa escala, segundo ele, é essencial desenvolver a pesquisa, ampliar a assistência técnica e conceder incentivos governamentais ao produtor, como investimentos e crédito facilitado.

Esses produtos, cultivados sem agrotóxicos e fertilizantes químicos, custam cerca de 30% a mais. Segundo Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura, pesquisas
indicam que o consumidor, preocupado com a saúde, está disposto a pagar por essa diferença.

O Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) privilegia orgânicos para a merenda escolar e paga esses 30% a mais ao agricultor, de acordo com Wachsner. Tomate, ovo e alface, que têm culturas orgânicas mais desenvolvidas, já têm preços que, em alguns lugares, competem com o valor dos convencionais, segundo ela.

Em um supermercado da região central de São Paulo, porém, o quilo do tomate orgânico custava, na sexta-feira (15), mais do que o triplo do produto convencional: R$ 17,18 contra R$ 4,99. A Nestlé aposta que o consumidor paga mais por um produto diferenciado e por isso está investindo em leite orgânico.

“Temos um produtor que já é totalmente orgânico e estamos convertendo outros 26”, disse Taissara Martins, gerente da área de Qualidade de Leite Fresco e Desenvolvimento de Fornecedores da Nestlé. A empresa conta com mais de 4.000 fornecedores de leite.

O Brasil, o primeiro país no qual a multinacional investe em leite orgânico, tem uma produção pequena, com custos elevados. “É preciso deixar a vaca solta no pasto, tratá-la com homeopatia, alimentá-la com ração cultivada sem agrotóxicos”, explicou Martins.

O importante é garantir renda ao produtor de orgânico. “Não adianta a pessoa ter princípios, amor à causa, se ela não consegue pagar as contas”, afirmou Giacomelli.

 

Fonte: Folha de S. Paulo