Fazenda aceita reduzir juro em ao menos 1% no Plano Safra

Publicado em 19/05/2017

À medida que as negociações dentro do governo federal se aproximam de uma definição em torno do Plano Safra 2017/18, previsto para ser lançado até o fim de maio, a equipe econômica já sinalizou que aceita reduzir em pelo menos 1% as taxas de juros das linhas de financiamento para investimento a juros controlados, apurou o Valor.

Isso significa dizer que os juros recuariam para o patamar de 7,5% ao ano para a maioria das linhas de investimento, a exemplo do PCA, destinado à armazenagem. Apenas uma linha do Moderfrota, que é mais cara e oferece uma taxa de 10,5% ao ano na atual safra (a 2016/17), passaria a ter juros de 9,5% ao ano, conforme o desenho proposto até agora.

Mas o Ministério da Agricultura entende que há espaço para brigar por juros ainda menores. A pasta vem insistindo, desde o início das conversas, em janeiro, numa queda de 2%, tanto para as linhas de investimento quanto para as de custeio. E até já cedeu em seu apetite ao propor recentemente ao Ministério da Fazenda prazos menores para pagamento das operações de crédito rural.

As reuniões entre técnicos de governo acontecem quase que diariamente para acertar os detalhes finais. Mas as discussões estão acaloradas. Assim como o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, não abre mão de juros mais baixos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também faz questão de enfatizar as restrições fiscais que impedem o Tesouro de gastar mais do que R$ 8.7 bilhões com a equalização das taxas de juros do crédito rural em 2017/18.

A equipe econômica se vale de um estudo do Banco Central, segundo o qual para cada redução de um ponto percentual nas taxas de juro do Plano Safra, o Tesouro precisaria desembolsar R$ 2.5 bilhões em gastos com equalização.

A decisão final, no entanto, sempre invade o campo político e depende dos ministros envolvidos com o assunto para bater o martelo. Mas enquanto Maggi dá prosseguimento à sua viagem ao Oriente Médio para tentar restaurar a confiança de países importadores na qualidade da carne brasileira, após a operação Carne Fraca, Meirelles está na lista dos ministros que terão a árdua missão de acalmar os mercados, diante da crise instalada no governo depois de denúncias contra o presidente Michel Temer.

No setor do agronegócio é grande a expectativa de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) já defina novos juros e novo volume de recursos a juros controlados, em sua próxima reunião, marcada para a próxima quinta-feira, dia 25. Por isso, técnicos do governo querem pelo menos encerrar até o fim da próxima semana as tratativas técnicas para adiantar as regulamentações necessárias para viabilizar o próximo Plano Safra.

 

Fonte: Valor Econômico

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