CRA é opção de investimento após crescer 195% em um ano

Ricardo Magalhães, superintendente de Relações e Projetos Estratégicos da, considera o CRA uma aplicação de renda fixa atrativa, mas alerta sobre os riscos envolvidos antes de tomar a decisão de investir. Foto: Crédito: Divulgação
Ricardo Magalhães, superintendente de Relações e Projetos Estratégicos da Cetip, considera o CRA uma aplicação de renda fixa atrativa, mas alerta sobre os riscos envolvidos antes de tomar a decisão de investir. Foto: Crédito: Divulgação

Com o agronegócio brasileiro cumprindo, cada vez mais, o papel de protagonista importante no mercado internacional, tornou-se necessário encontrar outras formas de recursos, além do financiamento bancário. Neste cenário, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), emitido exclusivamente por companhias securitizadoras e remunerado com recebíveis da cadeia do agronegócio, tem se consolidado como um instrumento de captação de recursos para o setor.

Em um ano, os CRAs registraram crescimento de 195%. O montante na carteira dos investidores, excluindo as aplicações já vencidas ou resgatadas, saltou de R$ 2,15 bilhões para R$ 6,35 bilhões, entre janeiro do ano passado e o mesmo mês de 2016.

Segundo Ricardo Magalhães, superintendente de Relações e Projetos Estratégicos da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip), integradora do mercado financeiro instituída pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 1984, alguns fatores levaram a crescimento dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio. “Além de estarmos em um momento de restrição de crédito pelas fontes tradicionais de financiamento do setor, temos o cenário de acesso mais limitado ao mercado externo, o risco país, e, consequentemente, a taxa de juros, requerida pelo investidor, que passa a ser mais elevada”, comenta.

“Diante desse quadro, precisamos desenvolver fontes locais de financiamento e, de preferência, que independam de recursos públicos; nesse aspecto, o CRA aparece como uma alternativa de captação de recursos via mercado de capitais”, analisa.

 

VANTAGENS

O executivo cita que algumas vantagens tornam esse investimento atrativo para as empresas do agronegócio, como “acessar o investidor do mercado de capitais; ter isenção de imposto sobre operações financeiras (IOF); divulgar o nome e a marca da empresa e, consequentemente, contar com mais facilidade para novas captações de recursos no longo prazo”.

Na opinião de Magalhães, o que torna o Certificado de Recebíveis do Agronegócio uma boa opção de investimento é que, do lado do investidor pessoa física, é uma aplicação de renda fixa atrativa por oferecer isenção de imposto de renda. Porém, ele faz uma ressalva: “É importante destacar que esse é um investimento que tem como lastro uma dívida e, com isso, o investidor deve conhecer os riscos envolvidos antes de tomar a decisão”, observa.

Magalhães ainda acrescenta que o CRA pode financiar o produtor por mais que uma safra, tanto que há operações realizadas pelo prazo de até 5 anos. “Essa possibilidade ainda conta com o papel da securitizadora, que empacota a dívida de empresas e cooperativas e a transforma em um ativo a ser oferecido a investidores”, explica.

 

RENDA FIXA

Segundo a BM&F Bovespa, o CRA é um título de renda fixa que gera um direito de crédito ao investidor, que terá direito a receber uma remuneração (geralmente juros fixos ou flutuantes) do emissor e, periodicamente ou no vencimento do título, poderá receber de volta o valor investido (principal).

Em relação ao emissor, é um instrumento de captação de recursos com objetivo de financiar transações do agronegócio e é emitido com lastro em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais, cooperativas e terceiros, inclusive financiamentos ou empréstimos relacionados voltados para produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos ou insumos agropecuários ou de máquinas e implementos utilizados na agropecuária.

 

Por equipe SNA/SP

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