Clima seco compromete safra de café 2018/2019

25/09/2017|

Segundo o diretor técnico da SNA José Milton Dallari, em consequência do cenário, o produtor está tentando, ao máximo, segurar as vendas, na expectativa de algum repique preços mais para frente. Foto: divulgação

A colheita de café da safra 2017, de ciclo baixo, está chegando ao fim, mas a expectativa dos produtores não é das melhores para o ciclo 2018/2019. Nas principais regiões produtoras do País, a falta de chuva e as temperaturas médias muito altas para essa época do ano aumentam a preocupação em relação à produtividade e à qualidade da próxima safra.

Em consequência do clima, contrariando os operadores do mercado, que há vários meses previam uma safra de café recorde em 2018, esta possibilidade está descartada.

Segundo diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), José Milton Dallari, há uma incógnita em relação à próxima safra. “Com a escassez de chuvas entre agosto e setembro, a primeira florada do arábica, que ocorreu no fim de agosto, vingou muito pouco, exceto o café irrigado”, diz.

Quanto à próxima florada, a mais importante, esperada entre o fim de setembro e o começo de outubro, ele acredita que poderá ser prejudicada, se não chover nas regiões produtores. “Mas pode haver alguma recuperação, caso chova em novembro e dezembro”, prevê o diretor da SNA.

COLHEITA

A safra 2017 de café deverá chegar a 44,77 milhões de sacas de 60 kg, segundo levantamento divulgado neste mês pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado indica uma redução de 12,8%, comparada com o ciclo anterior, quando foram obtidas 51,37 milhões de sacas. Para Dallari, a safra atual deverá ficar entre 44 mil e 47 mil sacas. “Dentro da bienalidade, essa queda já era esperada.”

“Uma boa safra, em 2018, poderia ajudar a regularizar os estoques brasileiros, que estão historicamente baixos”, afirma Carlos Paulino da Costa, presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Foto: divulgação Ascom Cooxupé / Ricardo Dias

Segundo Carlos Paulino da Costa, presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), o resultado da safra 2017, na região, está abaixo da expectativa inicial, em consequência da bienalidade e do volume de frutos brocados, que ficou muito acima da previsão inicial, feita pelos agrônomos. “O rendimento caiu, por causa da baixa densidade dos grãos e da infestação de broca em algumas regiões do cerrado mineiro e do sul de Minas”, afirma.

Maior produtor de café do mundo, com 32% do total, maior exportador e segundo maior consumidor, pela primeira vez, o Brasil está com os estoques governamentais zerados.

Na prática, o País conta somente com o café colhido na safra 2017 para atender os compromissos de exportação e consumo interno. “Uma boa safra, em 2018, poderia ajudar a regularizar os estoques brasileiros, que estão historicamente baixos”, afirma Costa.

PREÇOS

De acordo com Dallari, a saca de 60 quilos está cotada entre R$ 420,00 e R$ 450,00, podendo chegar a R$ 470, no caso de cafés especiais. “Na região do cerrado, esse valor cobre os custos, e sobra alguma coisa, mas, nas regiões de montanhas, o cafeicultor está tendo prejuízo”, afirma.

“Em consequência do cenário, o produtor está tentando, ao máximo, segurar as vendas, na expectativa de algum repique de preços mais para frente.”

UMA AMEAÇA

Estudo divulgado dia 11 de setembro, pela Universidade de Vermont (EUA), acena com um futuro difícil para o café. O efeito do aquecimento global, que tem modificado o clima no planeta, pode diminuir em até 88% as áreas próprias para cultivo para essa lavoura nos próximos 40 anos.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), um aumento de 3 graus na temperatura global poderia reduzir em 50% as áreas cultiváveis em países como Brasil, Vietnã, o segundo maior produtor mundial, e Colômbia, o terceiro.

O trabalho publicado pela Universidade de Vermont, e apoiado financeiramente por instituições como a Iniciativa Global do Clima e o Banco Mundial, também mostra outra consequência indireta das mudanças climáticas nos cafezais: a redução no número de insetos no ambiente, como as abelhas, que respondem pela polinização de 40% das lavouras.

BOA NOTÍCIA

Abrindo as comemorações em torno do Dia Mundial do Café, que é celebrado em 1º de outubro, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) lançará, na terça-feira (26), o aplicativo De Olho no Café. Com a ajuda da ferramenta, o consumidor poderá verificar, em tempo real, pelo celular, as certificações conferidas pela entidade que cada marca possui, avaliar os produtos e enviar comentários e opiniões.

O aplicativo, desenvolvido pelo Instituto Totum, agência responsável pelo gerenciamento dos programas da Abic, é fornecido gratuitamente aos usuários de smarthpone (versão Android quanto para Iphone), no Google Play e APP Store.

Também faz parte das comemorações do dia Mundial do Café, data criada em 2015 pela Organização Internacional do Café (OIC), a premiação das “Melhores da Qualidade ABIC 2017”. Esta será conferida às empresas e marcas que mais se destacaram durante o ano no Programa de Qualidade do Café, nas categorias Tradicional, Superior e Gourmet.

Por Equipe SNA/SP