CBN: Com recessão, estoques públicos de grãos caem 54% em 2016

Diante da retração econômica e da queda na produtividade, o país enfrentará mais um obstáculo: o governo federal vai começar 2017 com menos da metade da reserva de grãos nos armazéns públicos, em comparação com dezembro de 2015. Usado para garantir o abastecimento da população e impedir o aumento de preços, o estoque federal vai terminar 2016 com uma queda de 54,1%.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os estoques públicos armazenam atualmente 798.800 toneladas de grãos. Em dezembro do ano passado, esse total chegava a 1,74 milhão de toneladas.

O Ministério da Agricultura atribui a retração nos estoques à queda na produção agrícola ao longo do ano, que provocou alta nos preços e obrigou o governo a intervir para manter o equilíbrio do mercado.

O secretário de política agrícola do ministério, Neri Geller, afirma que quando o governo Michel Temer assumiu, os estoques já estavam em queda e que a previsão de safra para o ano não se cumpriu.

‘O que nós tivemos, infelizmente, foi uma queda em toda a produção nacional. Quando nós assumimos o ministério, o estoque público estava bastante baixo. Tivemos que entrar justamente para atender ao mercado e a demanda interna. O Brasil tem capacidade de aumentar sua produção. Eu não tenho a menor preocupação e o povo brasileiro não tem que se preocupar com isso.’

Segundo o Ministério da Agricultura, a produção foi afetada pelo excesso de chuvas no Rio Grande do Sul e pela falta de chuva em regiões do Nordeste e do Espírito Santo. Mesmo diante desse cenário, o ministério estima uma supersafra para 2017. O secretário Neri Geller espera um acréscimo de 15% na produção nacional, chegando a 214 milhões de toneladas no ano que vem.

‘Mas o positivo é que estamos na iminência de colher uma supersafra. A próxima safra é muito elevada, uma previsão de 214 milhões de toneladas. Se comparado com o ano passado, vamos ter um acréscimo de quase 15% na produção.’

Entidades de defesa do setor agrícola estimam que, mesmo com a redução do ritmo produtivo, as expectativas são positivas para 2017.

O vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Helio Sirimarco, avalia a queda nos estoques como reflexo de problemas climáticos em culturas específicas. Ele acredita que a safra do ano que vem deve ultrapassar as previsões.

‘Vai dar mais. Estamos falando de uma safra de soja provavelmente acima de 110 milhões de toneladas, o que é recorde absoluto. A estimativa de milho, nas duas safras, está em 85 milhões de toneladas. Fora o feijão que vai aumentar. Essa previsão é um consenso no mercado. É possível que se alcance até mais que isso.’

Especialistas acreditam que apesar da queda recente no preço de itens de primeira necessidade da cesta básica, como arroz e feijão, ainda há inflação na alimentação em 2016.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, ressalta, porém, que a queda nos preços de alguns alimentos deve continuar em 2017.

‘A gente começou a perceber que o preço parou de avançar e agora houve até quedas expressivas nos preços desses alimentos. O saldo disso é que ainda há uma inflação dentro de alimentação em 2016, muito menor do que esperávamos ainda no início deste ano, o que já vem como uma boa notícia. Mas a questão é que ainda há espaço para que essas quedas continuem e isso deve atingir seu auge em 2017.’

O Ministério da Agricultura prevê uma recuperação gradual dos estoques a partir de janeiro. Por outro lado, a Companhia Nacional de Abastecimento explicou que só pode comprar grãos com autorização do Conselho Interministerial de Estoques Públicos. Por isso, não há como a estatal prever se haverá recomposição de estoques no ano que vem.

 

Fonte: CBN

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