Brasil precisa investir em infraestrutura para aproveitar potencial hidroviário, afirma diretor da SNA

30/08/2017|

Paulo de Tarso, Helio Portocarrero, Carlos Von Doellinger, Helio Sirimarco, Francisco Villela, Roberto Fendt, Rubem Novaes, Marcio Sette Fortes, Tulio Arvelo Duran, Arnim Lore, Sérgio Gabizo, Antonio Meirelles e Antonio Alvarenga. Foto: SNA

 

As hidrovias são uma alternativa promissora para o setor de logística no Brasil. Porém, é preciso investir em infraestrutura. É o que afirma Marcio Sette Fortes, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Baseado em dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e de outras fontes, o diretor da SNA disse que a participação de hidrovias na matriz de transporte de cargas (agronegócio, minério, etc.) está em torno de 4%. Já em relação ao modal rodoviário, esse percentual é de 58%.

“O Ministério dos Transportes quer ampliar para 29%, num prazo de 15 a 20 anos, a participação do modal aquaviário, que atualmente representa 13% de todo o setor de logística, mas para isso será necessário investir R$ 15,8 bilhões”, disse Fortes durante apresentação no Conselho de Economia da SNA, na sexta-feira (25/8).

Na ocasião, ele falou sobre investimentos em logística como ferramenta competitiva para o agronegócio, mostrando o quadro atual das redes rodoviária e ferroviária e as vantagens do sistema hidroviário em relação a outros modais.

“Para se ter uma ideia, conseguimos colocar a carga de 60 caminhões em 16 vagões ferroviários, e a carga desses 16 vagões pode ser comportada em uma única barcaça”, afirmou, acrescentando que “atualmente, são transportadas pelas hidrovias brasileiras cerca de 45 milhões de toneladas de cargas/ano, enquanto o potencial identificado é pelo menos quatro vezes maior”.

Em comparação ao modal rodoviário, Fortes salientou que o sistema hidroviário é mais limpo, com emissão seis vezes menor de CO2, além de mais barato, mais seguro e com nível de consumo de combustível 19 vezes menor”. Além disso, observou o diretor da SNA, “em hidrovias para fluxo de granéis agrícolas e minérios em longas distâncias, o custo do frete é metade do valor do modal ferroviário e um quarto do rodoviário”.

 

ENTRAVES

No entanto, Fortes chamou a atenção para alguns entraves que ainda afetam o transporte aquaviário. “É preciso desonerar a carga tributária do ICMS para combustíveis de navegação fluvial. Existe uma briga nesse sentido para diminuir essa carga”.

Outro risco apontado pelo diretor é a construção de barragens para ampliar o potencial do setor hidrelétrico. “As barragens causam o assoreamento de rios, que ficam sem condições para navegação. Se por um lado há gastos para melhorar o sistema hidrelétrico, por outro há custos adicionais de obras para tornar os rios navegáveis”, observou, citando como exemplo a hidrovia do rio Madeira, em Rondônia.

Fortes destacou também que diversos obstáculos regulatórios envolvendo licenciamento ambiental muitas vezes impedem a abertura de hidrovias.

Presente à reunião do Conselho de Economia, o ex-ministro das Cidades, Márcio Fortes disse que a influência de fenômenos climáticos também reduz a navegabilidade nos rios, com o aparecimento de bancos de areia, que se somam aos assoreamentos e a outros problemas. O ex-ministro mencionou ainda que o muitas vezes há necessidade de construir eclusas para tornar as vias navegáveis, e isso aumenta o custo de implantação de hidrovias.

 

Ex-ministro Marcio Fortes. Foto: SNA

 

PROJETOS E SERVIÇOS

Ao falar sobre projetos de relevância para o desenvolvimento do setor hidroportuário, o diretor da SNA citou importantes eixos como o Arco Norte; as hidrovias Teles Pires-Tapajós, Tocantins-Araguaia e Paraná-Tietê – que é considerada a mais desenvolvida e uma das mais importantes do país, com 1.653 km de vias navegáveis; o complexo portuário Miritituba-Barcarena, no Pará, que segundo Fortes “reduz em 20% o tempo de uma viagem marítima de longo curso para a Europa, economizando frete”, e o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram).

Em linhas gerais, Fortes afirmou que, em matéria de logística no Brasil, “o que vem sendo feito atualmente é a manutenção dos serviços que já existem, e não a expansão da oferta de serviços”. Ele também chamou a atenção para os indicadores que medem o nível de confiabilidade de um determinado modal. “Fatores como perdas, velocidade e preço são importantes. Não adianta ter o melhor preço, por exemplo, com muitas perdas”.

O diretor da SNA, Paulo Protásio, que participou da reunião do Conselho, disse que o setor de logística no país tem “um potencial extraordinário”; no entanto, frisou que, “sem uma resposta do setor empresarial, não haverá avanços”. Na ocasião, o diretor propôs a coordenação de um plano nacional de logística com ênfase na área agrícola.

 

DEBATES

Os participantes do encontro também debateram, entre outros assuntos, a necessidade de maior investimento na navegação de cabotagem; a fase de conclusão da BR-163, importante via para o escoamento de soja e milho; a manutenção da qualidade dos serviços de logística, e questões relativas à armazenagem, que é a atividade do setor com maior nível de perda, segundo recente estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

A reunião do Conselho de Economia foi coordenada por Rubem Novaes e contou ainda com as presenças de Antonio Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional de Agricultura; dos vice-presidentes da instituição, Hélio Sirimarco e Tito Ryff; dos diretores da SNA Francisco Villela, Paulo Protásio, Rony Oliveira e Tulio Arvelo Duran; dos economistas Arnim Lore, Ana Novaes, Antonio Meirelles, Carlos Von Doellinger, Helio Portocarrero, Ney Brito, Paulo de Tarso Medeiros, Paulo Guedes, Roberto Fendt e Sérgio Gabizo, e do administrador Rui Otávio Andrade.

 

Por equipe SNA/Rio