Brasil deverá colher recorde de 7,8 milhões de toneladas de trigo

O mercado doméstico segue em ritmo lento. Os vendedores estão reticentes em negociar a patamares inferiores aos mínimos referenciados pelo governo. As indústrias também não têm pressa nas aquisições, pois, a safra nacional segue em boas condições e deve fechar com um recorde de produção. No Paraná os últimos negócios oscilaram entre R$ 530,00 e R$ 550,00 a tonelada. No Rio Grande do Sul entre R$ 460,00 e R$ 480,00 a tonelada.

De acordo com Safras & Mercado, o montante a ser colhido no País será de 7.845 milhões de toneladas, o maior da história. Com os estoques de passagem de 1.825 milhão de toneladas e estimando-se que o País importe 5.5 milhões de toneladas, a oferta total de trigo no Brasil será de 15.170 milhões de toneladas. O consumo (humano, ração e semente) é projetado em 11.7 milhões de toneladas. Ou seja, a oferta superará a demanda em 3.47 milhões de toneladas. Para reduzir parte destes estoques será necessária a intervenção do governo.

Segundo boletim semanal de informações agropecuárias no Rio Grande do Sul, divulgado na última quinta-feira pela Emater/RS, a cultura apresenta boa evolução, condição sanitária satisfatória e perspectiva de produtividades ainda dentro do esperado, apesar das oscilações meteorológicas verificadas nas últimas semanas (alternância de sol e chuva, além de variação da temperatura em curto espaço de tempo). No momento a cultura ainda apresenta um percentual alto de lavouras (45% do total semeado) em fase de desenvolvimento vegetativo, que deverão passar pelas fases de floração e enchimento de grãos. Tais fases são muito suscetíveis às oscilações de temperatura e ao excesso de umidade, que predispõem a planta ao ataque de doenças fúngicas.

O Departamento de Economia Rural (Deral), do Paraná, informou, em seu levantamento semanal, que a colheita de trigo atingiu 29% da área cultivada de 1.350 milhão de hectares, que é 35% maior frente aos 1 milhão de hectares plantados na temporada 2012/13. Segundo o departamento, 86% das lavouras se encontram em boas condições, 13% em condições médias e 1% em situação ruim. As lavouras se dividem entre as fases de desenvolvimento vegetativo (7%), floração (14%), frutificação (34%) e maturação (45%). A comercialização da safra atinge 5% até o momento.

No mercado internacional, na CBOT, para o trigo acumulou perdas durante a semana e, apesar do fechamento da última quarta-feira ter interrompido uma sequência de quedas, as cotações atingiram, no fechamento de ontem, o menor patamar dos últimos quatro anos. A pressão sob o mercado se deve principalmente à projeção de safra recorde nos Estados Unidos e no mundo. Segundo o relatório, a safra mundial 2014/15 está estimada em 719.95 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais de trigo em 2014/15 estão estimados em 196.38 milhões de toneladas. Os EUA deverão colher 55.24 milhões de toneladas em 2014/15.

Na última quinta-feira, o trigo encerrou as operações com preços acentuadamente mais baixos. As vendas líquidas norte-americanas de trigo, referentes à temporada comercial 2014/15, que tem início em 1º de junho, foram de 314.500 toneladas na semana encerrada em 11 de setembro. O número caiu 54% frente à semana anterior e 15% em relação à média das últimas quatro semanas. O destaque foi a venda de 119.400 toneladas para o Japão. As informações são do USDA. Os contratos com entrega em dezembro fecharam cotados a US$ 4,88 1/2 o bushel, recuo de 10,75 centavos de dólar. Os contratos com entrega em março/15 fecharam negociados a US$ 5,05 3/4 o bushel, com queda de 10,50 centavos em relação ao fechamento anterior.

 

Fonte: Agência Safras

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