Batata: escolha da variedade considera o consumo

Publicado em 17/03/2017

Maior produtor nacional de batatas, com área colhida superior a 41 mil hectares e produção que já ultrapassa 1,2 milhão de toneladas, Minas Gerais conta mais de 100 pequenas indústrias processadoras de batata palha, só no Sul do Estado. Foto: Divulgação

Alimento muito consumido na Europa, a batata é de origem andina, cultivada pelos incas há mais de sete mil anos. No Brasil, é a principal cultura olerícola em importância econômica e tem apresentado grande transformação nas últimas décadas, passando do cultivo tradicional, em regiões de altitude elevada, para o cultivo mecanizado, sobretudo no Cerrado.

O Brasil é autossuficiente na produção de batata para atender ao mercado do tubérculo in natura, porém, ainda depende de importação de países europeus e da América do Norte, de boa parte de batatas processadas. Portanto, as oportunidades para o crescimento do agronegócio batata no país são evidentes.

Grande parte da produção mineira está concentrada nas regiões do Sul de Minas, do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba. Segundo o pesquisador da Epamig, Joaquim de Pádua, o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba lideram em produtividade, mas o Sul de Minas tem a maior área cultivada.

 

VARIEDADES

Embora haja grande número de variedades de batata no mercado, as mais comercializadas no varejo são a Ágata (casca amarela) e Asterix (casca vermelha), ambas de origem holandesa. De acordo com Joaquim de Pádua, a batata apresenta uma grande versatilidade no preparo de pratos e há cultivares com diferentes aptidões de uso na culinária.

“As variedades com maior percentual de massa seca são mais indicadas para frituras e as com maior percentual de água são recomendadas para cozimento”, explica o pesquisador, ressaltando que grande parte dos consumidores desconhece essas funcionalidades.

 

CONSERVAÇÃO DO PRODUTO

Pádua lembra que a casca é a primeira parte do tubérculo a ser descartada no preparo da batata para o processamento, e que, ao contrário das frutas, o consumidor deve estar atento na escolha certa da cultivar segundo a sua aptidão de uso. “Geralmente as cultivares que apresentam pele lisa e brilhante, são as que contêm menor percentual de massa seca, ou seja, maior percentual de água”.

Quando lavadas, as batatas têm menor período de conservação, pois tendem a perder água com maior facilidade e ficam mais propensas ao esverdeamento da pele quando expostas à luz ou a claridade.

“Por isso, é recomendado o armazenamento em um lugar seco, fresco e no escuro”, orienta. O pesquisador explica que as cultivares de pele áspera geralmente são mais rústicas, exigem menor uso de insumos para a produção e, portanto, são mais saudáveis. “A absorção de óleo durante o processo de fritura é menor”, acrescenta.

 

MERCADO

A batata Ágata tem dominado o mercado, com mais de 80% das vendas, de acordo com comerciantes da Ceasa Minas. É uma variedade com ciclo precoce de produção, que se adapta a qualquer região e clima. É um produto com melhor aparência e, portanto, mais atraente ao consumidor. “O cliente, às vezes, confunde a batata de casca roxa, com a batata-doce ou pensa que a cor da casca está ligada a algum uso de conservante ou agrotóxico”.

Joaquim de Pádua destaca que os produtos processados, como batata palha, chips, e pré-frita congelada são derivados de variedades mais rústicas e apresentam maior uniformidade dos tubérculos. Como é o caso de variedades que estão sendo pesquisadas no “Núcleo Tecnológico EPAMIG Batata e Morango”, em Pouso Alegre, no Sul de Minas. Essas variedades ainda não estão no mercado. Elas diferenciam-se quanto ao uso culinário e são mais rústicas, com maior resistência às doenças e tolerância ao calor.

Cultivares como Caesar, Markies e Asterix são mais interessantes para a indústria de batata palha, que não tem muita exigência quanto ao formato e tamanho do tubérculo, já que o mesmo será ralado. “A indústria pode pagar um preço mais baixo pelo produto de menor calibre e o produtor fica livre para comercializar o produto de melhor classe para o mercado in natura a um preço mais vantajoso”, avalia o pesquisador.

 

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Fonte: Revista A Lavoura – Edição nº 703/2014

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