Avicultura: conforto térmico e água fresca

10/10/2017|

Os desafios do verão para a avicultura são significativos e é preciso muito cuidado para evitar perdas na produção de frangos de corte. Foto: Divulgação A Lavoura nº 700/2014

De todos os segmentos da cadeia de produção de proteína animal, a avicultura é o que mais depende da adoção de elevados níveis tecnológicos, conforme divulgou a Revista A Lavoura, na edição nº 700/2014.

Um deles é a seleção de linhagens genéticas, com alta eficiência produtiva, para ganhar peso rápido e eficientemente, desde que as #aves recebam as ferramentas apropriadas para expressar esse alto potencial produtivo.

Mesmo com o alto nível tecnológico atualmente adotado pelas empresas produtoras de frangos de corte, alguns antigos desafios continuam a ser obstáculos para a obtenção de bons desempenhos.

O período do verão, por exemplo, característico por suas altas temperaturas e umidade elevada, interfere negativamente sobre as aves, colocando-as fora de sua zona de conforto térmico, prejudicando, assim, sua produtividade.

CONFORTO TÉRMICO

A zona de conforto térmico das aves é a faixa de temperatura ambiente onde a taxa metabólica é mínima e a homeotermia (propriedade do corpo manter a sua temperatura constante) é preservada com menor gasto energético possível. Dessa forma, na zona de conforto térmico (ou termoneutra), a fração de energia metabolizável utilizada para termogênese é reduzida, enquanto a energia líquida destinada à formação do organismo é aumentada.

A temperatura ideal do ambiente depende da idade do frango. Por ser homeotérmico, a ave exige, à medida em que vai crescendo, cada vez menos calor. Assim, esta faixa de temperatura de conforto baixa de 35ºC para 24ºC até as quatro semanas de idade das aves.

Em seguida, diminui para 21-22ºC, até as seis semanas de vida. Isso acontece por causa da redução da superfície corporal por grama de massa corporal, diminuição da capacidade de dissipação do calor devido ao isolamento térmico proporcionado pelas penas, aumento da reserva energética e expansão da produção de calor corporal devido ao metabolismo por causa do crescimento das aves.

Para manter os animais o mais próximo possível de sua zona de conforto térmico, é necessário que sejam adotados uma série de cuidados, incluindo a utilização de tecnologias como ventiladores, aspersores, coolers, exaustores, entre outras.

NUTRIÇÃO

É preciso, também, fazer uso de estratégias no âmbito nutricional para reduzir os efeitos negativos do estresse por calor sobre a produção de carne. Sob temperatura superior a 30°C, o consumo de ração decresce rapidamente e as exigências energéticas aumentam, por conta da necessidade das aves em eliminar calor.

Logo, a utilização de dietas nutricionalmente ajustadas à redução de consumo, tem objetivo de compensar as perdas de produtividade. Assim, as dietas devem ser ajustadas quanto aos níveis energéticos, de proteínas e de aminoácidos. Até mesmo o ambiente do galpão pode influenciar no consumo de ração.

Já a água oferecida às aves nos bebedouros, precisa estar sempre fresca e preservada da radiação solar, o que irá auxiliar na eliminação do calor corporal.

MELHORADORES DE DESEMPENHO

O uso de melhoradores de desempenho que, de forma eficiente e seletiva, possam controlar a flora
bacteriana intestinal, que compete pelos nutrientes que deveriam ser destinados apenas às aves, também é uma estratégia muito importante, uma vez que, sob efeito de estresse por calor, os frangos de corte aumentam sua demanda por nutrientes, especialmente energia.

Há um aumento significativo na contagem bacteriana, por grama de conteúdo fecal, de bactérias aeróbias e Clostridium spp. em aves submetidas à condição de estresse por calor, quando comparadas com aves em condição termoneutra. Esta alteração causada pelo excesso de calor, seguramente, irá refletir sobre a quantidade de nutrientes que estarão disponíveis para o animal submetido ao efeito de estresse térmico.

A virginiamicina, por exemplo, é um melhorador de desempenho que tem efeito economizador de nutrientes em animais submetidos a condições estressantes de calor.

Estudos demonstraram que a virginiamicina reduziu o consumo calórico e a produção de calor, com simultâneo incremento do ganho e eficiência calóricos, quando os animais foram submetidos tanto ao estresse por calor, como à condição termoneutra.

A limpeza e a desinfecção dos criadouros é, também, muito importante, bem como o vazio sanitário do alojamento entre os lotes, durante 15 dias. Animais selecionados geneticamente têm metabolismo intenso, o que gera maior produção de calor. Por isso, os locais de criação devem oferecer ambientes termoneutros, para evitar prejuízos.

ESTRATÉGIAS

Existem diversas estratégias a serem adotadas no período do verão e que podem colaborar para que os efeitos negativos trazidos pelo estresse térmico sejam minimizados. Invariavelmente, os cuidados com o manejo ambiental, os ajustes nutricionais e a seleção de programas de melhoradores de desempenho e agentes anticoccidianos apropriados, devem ser priorizados, pois são peças importantes das estratégias que fazem parte das poucas opções disponíveis para diminuir as perdas, normalmente observadas durante os períodos de calor.

Fonte: Revista A Lavoura nº 700/2014