Apps facilitam controle das atividades nas fazendas produtoras de leite

30/11/2016|
No final de agosto, Embrapa lançou um aplicativo para gestão reprodutiva de rebanhos. Foto: Gisele Rosso/Divulgação Embrapa

No final de agosto, Embrapa lançou o aplicativo “Balde Cheio – Roda da Reprodução”, que auxilia na gestão reprodutiva de rebanhos. Foto: Gisele Rosso/Divulgação

Monitorar animais, gerenciar o rebanho, avaliar a produção individual do gado e, como consequência, a qualidade do produto final, entre outras atividades. Tudo isso cabe na palma da mão, graças à onda de aplicativos em smartphones e tablets, que vêm invadindo a agropecuária, com destaque para as fazendas produtoras de leite.

Diretor da Sociedade Nacional de Agricultura e representante da SNA na Câmara Setorial da Cadeia do Leite do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Alberto Figueiredo que os apps em smartphones e celulares, além das plataformas on-line, chegaram para agregar valor ao trabalho de controle das fazendas.

“Em uma fazenda produtora de leite, alterando, por exemplo, o número de vacas em produção, no que diz respeito ao número total de fêmeas, mantendo inalterados todos os demais índices zootécnicos, os resultados financeiros podem mudar de positivos para negativos, e vice-versa”, relata o diretor da SNA.

“Quando consideramos que existem, pelo menos, uns 20 índices que indicam  os resultados das propriedades leiteiras, e que esses dados são calculados com base na combinação de números diversos, chegamos facilmente à constatação de que os programas informatizados e os aplicativos para smartphones e tablets, voltados para o processo de gerenciamento da atividade produtiva, são extremamente importantes”, avalia.

Também pecuarista de leite, na gestão de sua propriedade, em Resende (RJ), Figueiredo utiliza o programa E-Milka – Gestão Estratégica de Fazendas de Leite, gerenciado pela empresa de consultoria em agronegócio Agrif Soluções Estratégias, com sede no Rio de Janeiro.

 

Diretor da SNA, Alberto Figueiredo acredita que os apps chegaram para agregar no trabalho de controle das propriedades rurais. Foto: Raul Moreira/Arquivo SNA

Diretor da SNA, Alberto Figueiredo garante que os apps chegaram para agregar valor ao trabalho de controle das propriedades rurais. Foto: Raul Moreira/Arquivo SNA

EFICIÊNCIA

“O mercado de leite tem um potencial de crescimento proporcionado pelo ganho de eficiência. O motor para esse processo é a gestão estratégica da fazenda como um negócio rentável”, comenta Rogério Werneck, sócio-proprietário da Agrif .

Com formação acadêmica em engenharia industrial, estatística, finanças e sistemas de TI, ele é o idealizador do primeiro sistema de análise de fundos de investimentos on-line do país, o Frontier Funds, criado em 1996 e vendido mais tarde, em 2011, para a empresa Mercatto Gestão de Recursos, no Rio.

Werneck reforça que a produção leiteira, no campo, possui incontáveis indicadores a serem administrados, que devem ser levados em conta na tomada de decisão do produtor, a cada tempo específico.

“Os softwares restritos à fazenda possuem manutenção cara e atendem a um mercado limitado de grandes produtores. A internet ainda não está acessível a uma parcela significativa das fazendas, contudo, não há produtor que não a acesse em algum momento, de algum lugar, pelo PC ou celular”, comenta o executivo.

Segundo Werneck, “os aplicativos móveis ou sistemas via internet oferecem, ao nosso mercado, uma experiência de amadurecimento na gestão do negócio”. “São iniciativas que vêm para somar e ficar. O programa Ideas for Milk, da Embrapa, por exemplo, demonstra a qualidade das startups (chamadas de agtechs e agrotechs), que estão nascendo nas grandes universidades do país, voltadas ao agronegócio. Que elas sejam bem vindas com toda a sua tecnologia.”

 

SELO DE QUALIDADE

Para as empresas, que disponibilizam aplicativos e plataformas on-line para o agro, tenham mais credibilidade no mercado de modo geral, mas principalmente junto aos produtores, o diretor da SNA Alberto Figueiredo sugere a criação de um selo de qualidade da Embrapa para esses programas, nos mesmos moldes do selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que atesta a qualidade dos produtos analisados e validados pelo órgão.

“Todos os programas podem ser alimentados em modo off-line, o que diminui as dificuldades relativas à ausência quase generalizada de sinal de internet, no meio rural brasileiro, apesar de ter sido criado o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) com esse objetivo, além de outros”, comenta o diretor da SNA. Baseado em sua experiência, diante da dificuldade para se adaptar aos programas existentes no mercado, ele admite que teve de desenvolver planilhas de controle, com a ajuda de uma empresa especializada.

“O grande problema que vemos, para a implantação de qualquer sistema informatizado, é o de alimentar qualquer um destes programas, com dados confiáveis da fazenda, uma vez que qualquer informação errada produz resultados distorcidos. Diante disso, o serviço de extensão rural tem fundamental importância neste processo de capacitação e apoio aos produtores”, ressalta Figueiredo.

 

SUGESTÕES

Um dos programas mais conhecidos do país, o Balde Cheio ganhou, no final de agosto passado, o aplicativo Roda da Reprodução, ferramenta que reproduz, em meio digital, o quadro físico empregado no campo, para acompanhar o ciclo de reprodução do rebanho, desde o momento da cobertura ou inseminação artificial da vaca até o parto. Leia notícia completa em sna.agr.br/?p=36468.

Com o objetivo de auxiliar a pecuária de modo geral, ainda existem inúmeras plataformas virtuais (muitas delas gratuitas), tais como: 4milkBoi SaúdeBovControl, BrabovDairyCents, JetBovMidatest, Painel da Qualidade de LeitePocketDairyPortal VerticalRebanho LeiteiroSuplementa Certo, entre outros apps. Tanto a funcionalidade quanto a aplicabilidade e os resultados desses serviços on-line devem ser garantidos pelas próprias empresas privadas ou instituições públicas, portanto, a SNA não se responsabiliza por tais informações.

 

Por equipe SNA/RJ